Por que a sexualidade moderna deixou de ser apenas “sexo”?

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Por que a sexualidade moderna deixou de ser apenas “sexo”?

Por Karina Brum

Existe uma mudança silenciosa acontecendo na forma de como as pessoas vivem a própria intimidade. A sexualidade contemporânea já não gira apenas em torno do ato sexual ou da performance. Cada vez mais, homens e mulheres buscam algo mais profundo: presença, vínculo, sensação de segurança emocional e bem-estar genuíno. E essa jornada é valida para todas as modalidades de relacionamentos, identidades de gênero e orientação sexual.

Por isso, vou trazer uma série de textos que expliquem e norteiem os conceitos sobre experiência emocional, wellness e conexão neuroafetiva – essas terminologias passaram a fazer parte do diálogo cotidiano entre os educadores sexuais, afinal, o terapeuta sexual está em constante aprendizagem, e uma das nossas principais funções é elaborar ferramentas que clarifique a teoria desse capital erótico versus a prática no dia a dia. 

Minha ideia  é auxiliar você a adquirir novos conhecimentos para fortalecer seu relacionamento dentro dessa tríade: desejo, prazer e saúde mental.

Experiência emocional: quando o prazer deixa de ser apenas físico.

A experiência emocional é a forma como o corpo, a mente e as emoções vivenciam determinada situação íntima. Isso significa que duas pessoas podem viver exatamente o mesmo momento sexual — mas sentirem experiências completamente diferentes emocionalmente. E viver o mesmo momento sexual não significa ou simboliza chegar ao clímax simultaneamente. Entenda que o prazer humano não depende apenas do toque físico. Ele também se alimenta de:

  • segurança emocional;
  • sensação de acolhimento;
  • ser desejável;
  • conexão psicológica;
  • autoestima;
  • confiança;
  • memória afetiva;
  • e do estado emocional do dia.

Numa linguagem mais direta e didática, a experiência emocional acontece quando a pessoa se sente desejada, quando a pessoa consegue relaxar emocionalmente, quando ela(e) sente a presença genuína do parceiro, quando se percebe o cuidado e a reciprocidade afetiva, e quando não existe medo, culpa ou tensão em sentir tesão/prazer/gozo. Quando eu escuto de algum paciente a fala de que “naquele momento da sedução (do conquista) houve uma conexão emocionalmente intensa”, significa que o cérebro interpretou a intimidade muito além do simples estímulo físico. 

Essa sensação emocional e sensorial de ter “gozado”, mas sem fazer sexo, é poderosa e viciante.  

Beijos da Ka,

Karina Brum é psicóloga e sexóloga. E tem como propósito desmistificar tabus, preconceitos socioculturais e crenças limitantes, oferecendo ferramentas que libertem a pessoa para seguir sua vida de forma singular. Além de falar sobre as demandas sexuais e da sexualidade humana, de forma divertida, científica, às vezes meio irônica, porém sempre muito sensata.

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