Romper o silêncio pode ser o primeiro passo para interromper a violência

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Romper o silêncio pode ser o primeiro passo para interromper a violência

Por Karina Brum

Talvez você tenha chegado até este texto depois de ler os anteriores e reconhecer situações da sua própria vida. Talvez tenha pensado: “Isso acontece comigo.” E se isso aconteceu, existe algo importante que você precisa saber: você não precisa esperar uma agressão física grave para procurar ajuda. A violência psicológica, sexual, moral e patrimonial também merece atenção. Converse com alguém em quem confia. O isolamento favorece relações abusivas. Por isso, uma das primeiras possibilidades é reconstruir uma rede de apoio. Essa rede pode ser:

  • Uma amiga.
  • Uma irmã.
  • Sua mãe.
  • Um colega.
  • Uma psicóloga.
  • Uma profissional de saúde.
  • Alguém capaz de ouvir sem julgamento.

Contar o que está acontecendo pode ajudar você a enxergar a situação de outra perspectiva. Procure atendimento psicológico! A violência pode produzir consequências emocionais importantes:

  • Ansiedade.
  • Medo.
  • Hipervigilância.
  • Vergonha.
  • Culpa.
  • Dificuldade para confiar.
  • Baixa autoestima.
  • Confusão emocional.
  • Sintomas depressivos.

O acompanhamento psicológico pode auxiliar a mulher a compreender o que viveu, reconstruir sua autonomia, fortalecer redes de apoio e recuperar sua capacidade de tomar decisões. Mas é importante fazer uma distinção: a psicoterapia não substitui medidas de proteção quando existe risco de violência. Procure a rede especializada.

No Brasil existem serviços públicos voltados ao atendimento e proteção das mulheres em situação de violência, incluindo serviços de segurança pública, assistência social, saúde, justiça e equipamentos especializados de atendimento à mulher. Dependendo do município, podem existir Delegacias de Defesa da Mulher, Centros de Referência da Mulher, Defensorias Públicas, serviços de assistência social e casas de acolhimento.

Não minimize, naturalize ou normalize ameaças. Frases como:

“Se você me deixar, vai se arrepender.”

“Se não for minha, não será de ninguém.”

“Eu vou acabar com sua vida.”

Falas como essa não devem ser interpretadas simplesmente como manifestações de amor desesperado. Quando existem ameaças, perseguição, violência crescente ou medo concreto pela própria segurança, é fundamental procurar orientação especializada. Se decidir sair, segurança também precisa fazer parte da decisão. Quando existe risco, terminar uma relação não deve ser pensado apenas como uma conversa de casal.

Pode ser necessário planejar:

• para onde ir;

• quem poderá ajudar;

• quais documentos levar;

• como ter acesso a dinheiro;

• como transportar filhos ou animais;

• quem conhece a situação;

• quais serviços de proteção podem ser acionados.

Cada situação é diferente. Por isso, não existe uma única estratégia adequada para todas as mulheres. Você não precisa ter certeza absoluta para pedir orientação. Ouço de muitas mulheres as frases:

“Talvez não seja grave o suficiente.”

“Talvez eu esteja exagerando.”

“Ele nunca me bateu.”

“Talvez a culpa também seja minha.”

Você não precisa chegar ao limite para conversar com alguém. Buscar orientação não significa necessariamente denunciar imediatamente ou terminar naquele momento. Significa obter informação para compreender melhor sua situação e suas possibilidades.

Feminicídio não é apenas uma discussão sobre morte!

Precisamos falar sobre aquilo que pode acontecer antes dele:

  • Controle.
  • Ameaças.
  • Perseguição.
  • Humilhação.
  • Violência sexual.
  • Violência física.
  • Isolamento.
  • Dominação.

A violência contra a mulher precisa ser reconhecida antes de chegar ao seu estágio mais extremo. Por isso, talvez a pergunta mais importante desta série não seja “Ele já bateu em você?” mas “Você se sente segura nessa relação?” O amor saudável não exige que uma mulher tenha medo de ficar, mas sim, reforça o a sensação de paz, de estar no lugar certo, de construir um futuro onde haja segurança e reconhecimento identitário. 

Beijos da Ka,

Karina Brum é psicóloga e sexóloga. E tem como propósito desmistificar tabus, preconceitos socioculturais e crenças limitantes, oferecendo ferramentas que libertem a pessoa para seguir sua vida de forma singular. Além de falar sobre as demandas sexuais e da sexualidade humana, de forma divertida, científica, às vezes meio irônica, porém sempre muito sensata.

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