Proteção começa com informação, autonomia e rede de apoio.

Proteção começa com informação, autonomia e rede de apoio.

Por Karina Brum

Proteção começa com informação, autonomia e rede de apoio. Quando falamos sobre prevenção da violência contra a mulher, existe um cuidado fundamental: a responsabilidade pela violência pertence a quem a pratica.

Nenhuma roupa, comportamento, discussão, escolha amorosa ou decisão da mulher justifica uma agressão.

Portanto, falar em prevenção não significa ensinar mulheres a serem responsáveis por impedir que homens sejam violentos.

Significa ampliar informação, autonomia, redes de proteção e capacidade de reconhecer situações potencialmente perigosas.

Um dos passos preventivos mais importantes é abandonar algumas ideias culturalmente romantizadas:

  • Ciúme excessivo não é necessariamente amor.
  • Possessividade não significa cuidado.
  • Controle não significa proteção.
  • Invadir seu celular não significa intimidade.
  • Impedir você de sair não significa preocupação.
  • Relacionamentos saudáveis precisam permitir autonomia.
  • Preserve sua rede de apoio

Uma estratégia frequente em relações abusivas é o isolamento progressivo. Por isso, manter vínculos com familiares, amigos e pessoas de confiança pode representar importante fator de proteção.

  • Mesmo apaixonada, preserve sua vida.
  • Mantenha amizades.
  • Continue estudando.
  • Trabalhe, quando possível.
  • Tenha interesses próprios.
  • Conserve espaços que pertencem a você.
  • Uma relação saudável deve ampliar sua vida — não reduzi-la.
  • Preserve alguma autonomia financeira

Dependência financeira pode tornar o rompimento de relações violentas muito mais difícil. Sempre que possível:

• mantenha acesso aos seus documentos;

• conheça sua realidade financeira;

• tenha acesso às próprias contas;

• mantenha algum recurso emergencial;

• saiba onde estão documentos importantes;

• preserve possibilidades profissionais.

Autonomia econômica também pode ser uma forma de proteção. Não normalize esses comportamentos intimidatórios:

“Ele só quebra coisas quando está nervoso.”

“Ele nunca bateu em mim, só socou a parede.”

“Ele dirige perigosamente quando discutimos.”

“Ele disse que acabaria comigo se eu o abandonasse, mas estava nervoso.”

Ameaças e intimidação precisam ser consideradas seriamente. O fato de determinado comportamento ainda não ter resultado em agressão física não significa que seja seguro.

É muito importante observar como ele reage aos seus limites. Uma maneira interessante de conhecer alguém é observar como essa pessoa reage ao ouvir a palavra não.

  • Não quero.
  • Não concordo.
  • Não vou.
  • Não gostei.
  • Não quero transar.
  • Preciso ficar sozinha.
  • Não estamos dando mais certo.

Pessoas emocionalmente maduras podem frustrar-se diante de limites, mas continuam reconhecendo o direito do outro de estabelecê-los.

Quando um limite provoca punição, ameaça, perseguição ou intimidação, existe um sinal importante. Quando já existe violência ou ameaça, simplesmente dizer “termine esse relacionamento” pode ser insuficiente — e, dependendo da situação, até perigoso.

O momento da separação pode exigir planejamento. Um plano de segurança pode envolver pessoas de confiança, documentos, recursos financeiros, local seguro, transporte, contatos importantes e orientação dos serviços especializados.

Quando houver risco concreto, esse planejamento deve ser feito preferencialmente com apoio profissional e da rede especializada de proteção.

Prevenção também é educação emocional. Precisamos ensinar meninas e meninos que amor não significa posse, precisamos falar sobre consentimento, sobre limites, sobre autonomia, sobre resolução de conflitos, sobre masculinidades, sobre respeito, sobre ciúme, sobre sexualidade, sobre responsabilidade emocional.

Mas o principal é conversar sobre uma ideia muito simples: ninguém possui outra pessoa. Prevenir a violência contra a mulher não é disseminar a cultura do medo, mais sim, da importância de construir uma sociedade em que elas possam viver com respeito e liberdade de fazer escolhas.

Eu faço parte dessa rede de apoio! Mande msg para: 11 96492 0089.

Beijos da Ka,

Karina Brum é psicóloga e sexóloga. E tem como propósito desmistificar tabus, preconceitos socioculturais e crenças limitantes, oferecendo ferramentas que libertem a pessoa para seguir sua vida de forma singular. Além de falar sobre as demandas sexuais e da sexualidade humana, de forma divertida, científica, às vezes meio irônica, porém sempre muito sensata.

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