Medo de julgamento: por que tantas mulheres escondem quem realmente são?

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Medo de julgamento: por que tantas mulheres escondem quem realmente são?

Por Karina Brum

Muitas mulheres cresceram aprendendo que seriam avaliadas o tempo inteiro:

  • pela aparência;
  • pelo comportamento;
  • pela forma de amar;
  • pela maternidade;
  • pela sexualidade;
  • e até pela maneira de sentir.

Esse medo constante de julgamento pode parecer “normal”, mas ele tem impacto profundo na saúde emocional. Em muitos casos, a mulher começa a viver tentando evitar críticas em vez de viver de forma autêntica. Na prática, esses comportamentos aparecem no forma de:

  • necessidade excessiva de aprovação;
  • dificuldade de dizer “não”;
  • medo de decepcionar pessoas;
  • autocensura emocional;
  • ansiedade social;
  • vergonha de demonstrar vulnerabilidade.

Estudando a fisiologia das emoções, especificamente o medo, ativamos sem perceber o modo sobrevivência – isso nos faz acreditar que as pessoas irão nos rejeitar caso não sejamos aquilo que, aparentemente seja o “aceitável”, nascendo aqui o sofrimento emocional. Nosso cérebro interpreta exclusão e humilhação como ameaças importantes. Por isso críticas, julgamentos e invalidação emocional podem gerar sofrimento intenso. 

Mas entenda, o medo é um mecanismo de defesa essencial que nos auxilia a lutar (enfrentar) ou a fugir (resolver depois que se salvar) de situações em que ofereçam real perigo. O problema está no excesso de informações falsas ou que distorcem a realidade divulgadas nas redes sociais. Muitas das vezes, as pessoas falam de suas próprias experiencias – sejam positivas ou negativas – elevando a pressão e a busca por uma “perfeição” que nem faz sentido. O resultado costuma ser exaustão emocional, depressão, ansiedade generalizada e da naturalização de que nunca se pode parar para descansar.  Outro efeito comum do medo de julgamento é o afastamento da própria identidade. Algumas mulheres passam tanto tempo tentando corresponder às expectativas externas que deixam de perceber o que realmente sentem ou desejam.

Desenvolver autoestima emocional não significa deixar de se importar com os outros. Significa não depender exclusivamente da validação externa para existir com tranquilidade – reconhecer limites, aceitar imperfeições e construir relações emocionalmente seguras pode reduzem esse sofrimento. Precisamos voltar a pensar e a fortalecer nossa singularidade – ser diferente faz parte do nosso charme. 

Beijos da Ka,

Karina Brum é psicóloga e sexóloga. E tem como propósito desmistificar tabus, preconceitos socioculturais e crenças limitantes, oferecendo ferramentas que libertem a pessoa para seguir sua vida de forma singular. Além de falar sobre as demandas sexuais e da sexualidade humana, de forma divertida, científica, às vezes meio irônica, porém sempre muito sensata.

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