Quem Compra Produtos Eróticos Faz Mais Sexo? Os Estudos Respondem

Quem Compra Produtos Eróticos Faz Mais Sexo? Os Estudos Respondem

Quem compra produtos eróticos costuma fazer mais sexo? Essa é uma dúvida comum entre consumidores e até entre empresários do mercado erótico. Afinal, o crescimento das vendas de vibradores, masturbadores, cosméticos sensuais e acessórios íntimos estaria relacionado a uma vida sexual mais ativa?

A ciência já investigou essa questão e a resposta é mais interessante do que parece.

Os estudos mostram que pessoas que utilizam produtos eróticos apresentam, em média, melhores indicadores de satisfação sexual, maior conhecimento sobre o próprio corpo e mais abertura para conversar sobre sexo. Isso não significa, porém, que façam mais sexo. A frequência das relações depende de fatores físicos, emocionais e comportamentais que vão muito além de um acessório.

O que as pesquisas descobriram

Um dos estudos mais conhecidos sobre o tema foi realizado pela Indiana University, nos Estados Unidos, com 2.056 mulheres entre 18 e 60 anos.

Os pesquisadores descobriram que 52,5% das entrevistadas já haviam utilizado um vibrador. Ao comparar os resultados, observaram que essas mulheres apresentavam melhores índices de desejo, excitação, lubrificação, orgasmo e satisfação sexual, além de relatarem menos desconforto durante as relações.

A avaliação utilizou o Female Sexual Function Index (FSFI), referência internacional para medir a função sexual feminina.

Esses resultados não significam que o vibrador seja responsável por melhorar a vida sexual. O estudo apenas identificou uma associação consistente entre o uso desses produtos e melhores indicadores de saúde sexual.

O comportamento faz toda a diferença

Outro dado interessante é o perfil desse consumidor.

Quem compra produtos eróticos normalmente demonstra maior interesse pela própria sexualidade. São pessoas que costumam buscar informação, experimentar novidades e enxergar o prazer como parte do bem-estar.

Essa postura favorece o autoconhecimento e facilita a comunicação dentro do relacionamento, dois fatores amplamente reconhecidos por especialistas como fundamentais para uma vida sexual satisfatória.

Em outras palavras, muitas vezes não é o produto que muda a vida sexual. É o comportamento de quem decide utilizá-lo.

Quando o casal experimenta junto

Outra pesquisa da Indiana University analisou o uso de vibradores durante as relações a dois.

O resultado mostrou que mulheres cujos parceiros aceitavam ou participavam do uso do acessório relataram níveis mais elevados de satisfação sexual.

O aspecto mais relevante, porém, não foi o brinquedo em si.

Os pesquisadores perceberam que esses casais também conversavam mais sobre desejos, limites e preferências. O acessório aparecia como consequência de uma relação mais aberta ao diálogo, e não como a principal causa da satisfação.

O mercado erótico acompanha uma mudança cultural

Há alguns anos, produtos eróticos eram vistos apenas como artigos para “apimentar a relação”. Hoje, ocupam um espaço muito mais amplo.

Consumidores procuram vibradores, masturbadores, lubrificantes e cosméticos sensuais como parte do autocuidado, da descoberta do próprio corpo e da busca por mais qualidade de vida.

Essa transformação ajuda a explicar por que o setor continua crescendo e conquistando públicos cada vez mais diversos.

Então, quem compra produtos eróticos faz mais sexo?

Até o momento, a ciência não encontrou evidências suficientes para afirmar isso.

O que os estudos mostram é que consumidores desse mercado costumam apresentar características associadas a uma vida sexual mais saudável: mais prazer, maior satisfação, melhor comunicação e mais conhecimento sobre o próprio corpo.

Quando esses fatores se combinam, é natural que muitas pessoas vivam a sexualidade de forma mais plena. A quantidade de relações, porém, continua sendo consequência de diversos aspectos individuais e da dinâmica de cada relacionamento.

Mais do que aumentar a frequência do sexo, os produtos eróticos parecem contribuir para melhorar a qualidade da experiência — e talvez essa seja a descoberta mais importante das pesquisas.

uso-de-sextoys--1024x768 Quem Compra Produtos Eróticos Faz Mais Sexo? Os Estudos Respondem

Publicitária, consultora e especialista no Mercado Erótico, escritora e empresária. Atua no setor erótico brasileiro desde o ano 2000. Presidente da ABIPEA – Associação Brasileira da Indústria e Profissionais do Entretenimento Adulto, é autora de 28 livros de negócios e sobre produtos eróticos para consumidores. Entre 2010 e 2017, presidiu a ABEME – Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico.Citada em mais de 100 teses universitárias e livros de sexualidade, desenvolve e projeta produtos eróticos e cosméticos sensuais para os maiores players do mercado. Criadora, em 2006, do primeiro seminário de palestras para empresários do setor, é apoiadora e presença constante nos mais importantes eventos eróticos do mundo.Idealizou o Prêmio Mercado Erótico, que desde 2016 reconhece empresas, inovações, produtos e iniciativas que impulsionam o desenvolvimento da indústria. É fundadora e coautora do portal MercadoErótico.org.

Verified by ExactMetrics