Os Sextoys já podem ser prescritos por médicos

Os Sextoys já podem ser prescritos por médicos

Durante muito tempo, sex toys foram associados quase exclusivamente ao prazer. Hoje, alguns dispositivos atravessam essa fronteira e aparecem em contextos de fisioterapia pélvica, reabilitação sexual, controle da dor e cuidados com a saúde íntima.

A mudança não está apenas no formato dos produtos. Sensores, aplicativos, sistemas de biofeedback, estimulação elétrica e tecnologias de monitoramento estão transformando determinados produtos íntimos em ferramentas que podem ser utilizadas dentro de tratamentos e programas de reabilitação.

Isso não significa que qualquer vibrador encontrado em um sex shop seja um dispositivo médico. A finalidade do produto, sua tecnologia, as evidências disponíveis e sua classificação regulatória fazem diferença. Mas a aproximação entre o mercado de produtos eróticos e a área da saúde já é uma realidade que merece atenção.

Dispositivos inteligentes para exercitar o assoalho pélvico

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Elvie Trainer Smart Kegel Exerciser

Pequenos dispositivos equipados com sensores podem acompanhar as contrações da musculatura do assoalho pélvico e transmitir as informações para um aplicativo.

Em vez de simplesmente orientar a pessoa a fazer exercícios de Kegel, alguns sistemas mostram na tela a intensidade ou a duração das contrações e permitem acompanhar a evolução.

Esse tipo de tecnologia pode fazer parte de programas voltados para incontinência urinária, recuperação pós-parto e outras alterações relacionadas ao assoalho pélvico.

O diferencial está no chamado biofeedback: a pessoa recebe uma resposta sobre aquilo que seu próprio corpo está fazendo.

Kits de dilatação para dor e dificuldade de penetração

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Os dilatadores vaginais estão entre os exemplos mais claros de produtos íntimos utilizados em contextos terapêuticos.

São instrumentos lisos, geralmente organizados em diferentes tamanhos, utilizados de maneira progressiva em determinadas situações de dor, tensão muscular ou dificuldade de penetração.

Podem fazer parte de tratamentos relacionados ao vaginismo, à dispareunia e a processos de reabilitação após determinadas condições ou tratamentos ginecológicos.

Alguns sistemas mais modernos incorporam aplicativos para registrar as sessões, acompanhar a progressão e ajudar o usuário a manter uma rotina orientada pelo profissional.

Vibradores utilizados em contextos terapêuticos

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Aqui está uma das áreas que mais chama a atenção do mercado erótico.

Existem dispositivos vibratórios desenvolvidos especificamente para aplicações terapêuticas. Alguns são classificados como dispositivos médicos e podem ser utilizados em determinados contextos de reabilitação sexual ou estimulação sensorial.

A literatura médica também vem estudando o uso de vibração em diferentes situações relacionadas à função sexual.

Mas existe uma diferença fundamental: um vibrador comercial não se transforma automaticamente em um dispositivo médico porque produz vibração.

Quando um produto é desenvolvido para uma finalidade terapêutica, entram em discussão fatores como segurança, intensidade, indicação, evidências e regulamentação.

Dispositivos de biofeedback

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O biofeedback talvez seja uma das tecnologias mais interessantes dessa nova geração.

Sensores conseguem registrar a atividade da musculatura do assoalho pélvico e transformar uma resposta corporal que normalmente não conseguimos enxergar em uma informação visual.

O paciente pode perceber, por exemplo, se está conseguindo contrair ou relaxar determinado músculo.

Na fisioterapia pélvica, isso pode ajudar no aprendizado e no controle muscular. O aplicativo ou equipamento passa a funcionar como uma espécie de “espelho” da atividade interna do corpo.

Estimulação elétrica do assoalho pélvico

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Existem também dispositivos que utilizam pequenas correntes elétricas para estimular a musculatura pélvica.

Alguns equipamentos são utilizados em determinados tratamentos relacionados à incontinência urinária e outras alterações da função muscular.

Visualmente, alguns podem lembrar produtos íntimos encontrados no mercado erótico, especialmente quando utilizam sondas vaginais ou anais. Mas sua finalidade e seu funcionamento são completamente diferentes dos de um sex toy convencional.

É uma categoria que exige atenção especial às instruções de uso e à indicação profissional.

Tecnologias para reabilitação sexual masculina

viberect Os Sextoys já podem ser prescritos por médicos
Viberect: dispositivo de estimulação vibratória peniana desenvolvido para uso terapêutico. Classificado pela FDA como dispositivo para uso vibratório genital terapêutico, é um exemplo de tecnologia que aproxima o universo dos sex toys da reabilitação e da saúde sexual.

A tecnologia terapêutica também chegou à saúde sexual masculina.

Existem dispositivos de estimulação vibratória genital desenvolvidos para determinadas situações clínicas, inclusive relacionadas a dificuldades ejaculatórias e outras alterações da função sexual.

Nesse caso, o equipamento pode utilizar uma forma específica de estimulação e intensidade controlada, dentro de uma finalidade terapêutica.

É um bom exemplo de como uma tecnologia familiar ao consumidor do mercado erótico pode ganhar uma finalidade completamente diferente quando desenvolvida para a área da saúde.

Monitores de ciclo menstrual e tecnologias hormonais

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Os aplicativos de menstruação foram apenas o começo.

Hoje existem tecnologias que combinam aplicativos, sensores vestíveis e diferentes formas de monitoramento para acompanhar o ciclo menstrual e determinados sinais fisiológicos.

Essas ferramentas podem ajudar a identificar padrões relacionados ao ciclo, sintomas, temperatura corporal e outros indicadores. Para algumas pessoas, essas informações também ajudam a compreender variações de energia, desconforto e desejo sexual ao longo do mês.

É preciso, entretanto, separar o que é uma estimativa feita a partir dos dados registrados pela usuária do que é efetivamente uma medição hormonal. Nem todo aplicativo de ciclo mede hormônios.

Aplicativos para acompanhar a saúde sexual

Nem toda tecnologia precisa estar dentro do corpo.

Aplicativos podem ser utilizados para registrar dor durante a relação, desconforto, secura vaginal, alterações do desejo, sintomas menstruais e outras informações relacionadas à saúde sexual.

Ao longo do tempo, esse histórico pode ajudar a pessoa a identificar padrões e levar informações mais precisas para uma consulta médica ou de fisioterapia.

É uma aplicação simples, mas que muda uma questão comum na prática clínica: tentar lembrar, semanas depois, quando determinado sintoma apareceu e com que frequência aconteceu.

Quando o sex toy começa a conversar com a medicina

É aqui que a discussão fica interessante para o mercado erótico.

Vibração, sensores, dilatação, estimulação muscular e aplicativos não pertencem exclusivamente ao universo do prazer. As mesmas tecnologias podem ser utilizadas para finalidades muito diferentes.

Um dispositivo pode ter como objetivo proporcionar prazer. Outro pode ser desenvolvido para fisioterapia. Um terceiro pode combinar bem-estar e acompanhamento de dados.

A aparência, portanto, já não é suficiente para definir a categoria de um produto.

Para a indústria, isso abre possibilidades de desenvolvimento que exigem conhecimento técnico, pesquisa e atenção às regras sanitárias e regulatórias. Para o varejo, significa que novas categorias podem surgir na fronteira entre sextech, sexual wellness e saúde íntima.

E para o consumidor existe uma mudança ainda maior: o produto íntimo deixa de ser necessariamente algo comprado apenas para o momento de prazer.

Pode ser uma ferramenta de exercício. Pode fazer parte de uma reabilitação. Pode ajudar a acompanhar uma função do corpo. Pode ser recomendado por um profissional.

O que muda para o mercado erótico?

A aproximação com a saúde cria uma oportunidade, mas também aumenta a responsabilidade.

Não basta colocar a palavra “terapêutico” na embalagem ou afirmar que determinado produto trata uma doença. Alegações de saúde precisam estar apoiadas em evidências e respeitar a regulamentação aplicável ao produto.

Para empresas que desenvolvem sextech, isso significa que pesquisa, segurança, privacidade dos dados e comunicação responsável passam a ter peso cada vez maior.

Para profissionais de saúde, abre-se um universo de ferramentas que pode complementar tratamentos tradicionais.

E para o mercado erótico, surge uma categoria que há poucos anos parecia distante: produtos íntimos que podem participar do cuidado com o corpo e da saúde sexual.

O sex toy não está deixando de ser um produto de prazer. Está ganhando novas funções e novos espaços.

E talvez seja justamente essa aproximação entre prazer, tecnologia e saúde que esteja criando uma das áreas mais interessantes da próxima geração da sextech.

Publicitária, consultora e especialista no Mercado Erótico, escritora e empresária. Atua no setor erótico brasileiro desde o ano 2000. Presidente da ABIPEA – Associação Brasileira da Indústria e Profissionais do Entretenimento Adulto, é autora de 28 livros de negócios e sobre produtos eróticos para consumidores. Entre 2010 e 2017, presidiu a ABEME – Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico.Citada em mais de 100 teses universitárias e livros de sexualidade, desenvolve e projeta produtos eróticos e cosméticos sensuais para os maiores players do mercado. Criadora, em 2006, do primeiro seminário de palestras para empresários do setor, é apoiadora e presença constante nos mais importantes eventos eróticos do mundo.Idealizou o Prêmio Mercado Erótico, que desde 2016 reconhece empresas, inovações, produtos e iniciativas que impulsionam o desenvolvimento da indústria. É fundadora e coautora do portal MercadoErótico.org.

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