Meta porn: o que é e como a pornografia está entrando na realidade virtual

Meta porn: o que é e como a pornografia está entrando na realidade virtual

Você já ouviu falar em meta porn? O termo descreve uma nova forma de conteúdo adulto que mistura realidade virtual, inteligência artificial e interação digital.

Imagine colocar um óculos de realidade virtual e, em vez de simplesmente assistir a uma cena em uma tela, entrar em um ambiente digital onde você pode olhar ao redor, conversar com personagens e participar da experiência.

Agora imagine que essa experiência também possa conversar com um dispositivo sexual conectado.

É basicamente aí que começa a ideia de meta porn.

O nome pode parecer complicado, mas o conceito é relativamente simples: trata-se de conteúdo adulto criado para ambientes digitais mais imersivos e interativos, especialmente aqueles que utilizam tecnologias como realidade virtual, realidade aumentada, inteligência artificial e dispositivos conectados.

Não é simplesmente pornografia em realidade virtual

Essa é a primeira diferença que precisa ser entendida.

Um vídeo pornográfico pode ser assistido com um óculos de realidade virtual e continuar sendo apenas um vídeo.

O meta porn vai além da mudança de tela.

A proposta é criar uma experiência na qual o usuário tenha algum grau de participação.

Em uma experiência tradicional, você assiste.

Em uma experiência imersiva, você pode olhar ao redor.

Em uma experiência interativa, pode fazer escolhas.

Com inteligência artificial, pode conversar.

Com um dispositivo conectado, pode também receber estímulos físicos sincronizados com aquilo que acontece no ambiente virtual.

São tecnologias diferentes que podem funcionar juntas.

O que a realidade virtual muda?

Na pornografia convencional, a câmera determina o que aparece diante dos seus olhos.

Você vê aquilo que o diretor decidiu mostrar.

Na realidade virtual, a sensação é diferente porque o ambiente pode ser visto em 360 graus.

Você pode olhar para a frente, para os lados ou para trás e perceber o espaço ao seu redor.

Isso cria uma sensação de presença.

É como se você estivesse dentro daquele ambiente, em vez de apenas olhando para ele.

Essa característica é uma das principais razões pelas quais a realidade virtual passou a ser explorada também pelo entretenimento adulto.

E onde entra a inteligência artificial?

A inteligência artificial acrescenta algo que o vídeo tradicional não consegue fazer sozinho: responder ao usuário.

Um personagem virtual pode conversar, responder perguntas ou seguir diferentes caminhos de acordo com aquilo que a pessoa escolhe.

Em vez de uma história completamente pronta, a experiência pode se adaptar.

Imagine, por exemplo, um personagem digital que reconhece determinadas escolhas feitas pelo usuário e responde de maneira diferente a cada uma delas.

Isso aproxima o conteúdo adulto dos videogames e das experiências interativas.

A pessoa deixa de ser apenas espectadora.

Ela passa a participar da narrativa.

E os vibradores conectados?

É aqui que o mundo virtual pode encontrar o mundo físico.

Existem dispositivos sexuais que podem ser controlados por aplicativos e receber comandos por conexão sem fio.

Quando esse tipo de dispositivo é integrado a uma experiência digital, determinadas ações que acontecem na tela podem ser acompanhadas por estímulos no aparelho.

O resultado é uma experiência que combina imagem, som, interação e sensação física.

Também é possível pensar em experiências à distância.

Duas pessoas que estão em lugares diferentes podem participar de uma mesma interação digital e utilizar dispositivos conectados.

Nesse caso, a tecnologia funciona como uma ponte entre a experiência virtual e o corpo.

Então o meta porn é o metaverso?

Não exatamente.

Os termos estão relacionados, mas não são sinônimos.

Metaverso é um conceito muito mais amplo, relacionado a ambientes digitais imersivos nos quais as pessoas podem interagir por meio de avatares.

Meta porn utiliza algumas dessas tecnologias para criar experiências de conteúdo adulto.

Ou seja: o metaverso pode ter inúmeras finalidades. O meta porn é uma aplicação voltada especificamente para a sexualidade e o entretenimento adulto.

Por que esse conceito começou a aparecer?

Porque várias tecnologias que antes funcionavam separadamente começaram a se aproximar.

A realidade virtual ficou mais acessível.

A inteligência artificial passou a produzir conversas e imagens cada vez mais sofisticadas.

Os dispositivos conectados ganharam aplicativos e sistemas de controle remoto.

E as plataformas digitais passaram a oferecer experiências muito mais interativas.

Quando essas ferramentas se encontram, surge a possibilidade de criar algo diferente do vídeo adulto tradicional.

Não se trata apenas de assistir a uma cena.

A proposta é criar uma experiência na qual o usuário possa entrar, interagir e, em alguns casos, influenciar o que acontece.

O que ainda está sendo descoberto

O meta porn ainda não é uma categoria com um formato único.

Pode ser um ambiente de realidade virtual.

Pode envolver personagens criados por inteligência artificial.

Pode incluir dispositivos conectados.

Pode combinar todas essas tecnologias.

Por isso, o termo funciona mais como uma descrição de uma nova área de experiências digitais do que como o nome de um produto específico.

E existe uma questão importante nessa evolução: quanto mais realista e personalizada fica uma experiência virtual, mais difícil pode ser separar o que é simplesmente conteúdo do que começa a parecer uma interação.

Isso abre discussões sobre privacidade, consentimento, uso de imagens de pessoas reais e os limites entre fantasia digital e realidade.

Do “assistir” ao “participar”

Talvez essa seja a maneira mais simples de entender o conceito.

A pornografia tradicional é, principalmente, uma experiência de observação.

O meta porn tenta transformar essa experiência em participação.

Você pode estar dentro do ambiente.

Pode escolher para onde olhar.

Pode conversar com personagens.

Pode influenciar a narrativa.

Pode utilizar dispositivos conectados.

Pode até compartilhar uma experiência com outra pessoa que está distante.

A tecnologia, nesse caso, não está apenas mudando a tela.

Está mudando a relação entre quem produz, quem consome e aquilo que acontece durante a experiência.

É isso que torna o meta porn um conceito que merece ser observado: ele mostra como a sexualidade digital está deixando de ser apenas uma questão de conteúdo e começando a incorporar ferramentas de interação, inteligência artificial e realidade virtual.

Publicitária, consultora e especialista no Mercado Erótico, escritora e empresária. Atua no setor erótico brasileiro desde o ano 2000. Presidente da ABIPEA – Associação Brasileira da Indústria e Profissionais do Entretenimento Adulto, é autora de 28 livros de negócios e sobre produtos eróticos para consumidores. Entre 2010 e 2017, presidiu a ABEME – Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico.Citada em mais de 100 teses universitárias e livros de sexualidade, desenvolve e projeta produtos eróticos e cosméticos sensuais para os maiores players do mercado. Criadora, em 2006, do primeiro seminário de palestras para empresários do setor, é apoiadora e presença constante nos mais importantes eventos eróticos do mundo.Idealizou o Prêmio Mercado Erótico, que desde 2016 reconhece empresas, inovações, produtos e iniciativas que impulsionam o desenvolvimento da indústria. É fundadora e coautora do portal MercadoErótico.org.

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