Sextoy masculino da LELO entra na era da Inteligência Artificial

Sextoy masculino da LELO entra na era da Inteligência Artificial

Com sensores capazes de acompanhar o ritmo do usuário e recursos de inteligência artificial, novo dispositivo da marca aposta em uma experiência mais personalizada e menos previsível

A inteligência artificial já entrou nos celulares, carros, relógios, aplicativos de saúde, sistemas de atendimento e ferramentas de criação. Agora, ela começa a chegar a um território muito mais íntimo: os produtos eróticos.

Um dos exemplos mais recentes vem da LELO, que apresenta seu novo dispositivo masculino com uma proposta que chama atenção não apenas pelo design ou pela tecnologia, mas pela utilização de sensores e recursos de inteligência artificial para tornar a experiência mais adaptativa.

A novidade foi destacada pelo Gentleman’s Journal em uma matéria que discute justamente a aproximação entre luxo masculino e bem-estar sexual. Leia a matéria original no Gentleman’s Journal

E talvez o mais interessante não seja o produto em si.

É o que ele sinaliza para o futuro da categoria.

De um sex toy programado para um sex toy que responde ao usuário

Durante muito tempo, a inovação dos produtos eróticos aconteceu de uma maneira bastante previsível.

Mais velocidades.

Mais intensidades.

Mais programas.

Mais autonomia.

Mais conectividade.

A evolução tecnológica acrescentou funções aos produtos, mas a lógica continuava essencialmente a mesma: o usuário escolhe o que quer e o aparelho executa.

A proposta da LELO aponta para uma mudança de lógica.

O produto incorpora sensores capazes de acompanhar o ritmo de utilização e recursos de inteligência artificial que podem contribuir para adaptar a experiência.

Ou seja, em vez de simplesmente seguir uma programação, a tecnologia passa a responder ao comportamento do usuário.

É uma diferença importante.

O que o Humanize tem de diferente?

Um dos recursos que mais chama atenção é o chamado Humanize.

A proposta é introduzir variações de intensidade e ritmo menos previsíveis, evitando que a experiência siga um padrão excessivamente mecânico.

E existe uma provocação interessante nesse conceito.

Durante décadas, a tecnologia tentou tornar os produtos cada vez mais precisos e previsíveis.

Agora, uma tecnologia mais sofisticada começa a fazer justamente o contrário:

criar variações para que a experiência pareça menos mecânica.

É quase um paradoxo.

Quanto mais tecnologia existe por trás do produto, menos previsível pode ser aquilo que o usuário sente.

masturbador-lelo-f2s Sextoy masculino da LELO entra na era da Inteligência Artificial

A IA deixa de ser invisível e passa a fazer parte da experiência

É importante entender que inteligência artificial não significa simplesmente conectar um produto ao celular.

Um aplicativo que permite ligar, desligar ou escolher uma intensidade é conectividade.

A proposta de uma tecnologia adaptativa é diferente.

Sensores podem captar informações durante a utilização e sistemas podem utilizar esses dados para modificar determinados parâmetros da experiência.

Na prática, isso abre espaço para produtos que não funcionem exatamente da mesma maneira para todas as pessoas.

E essa talvez seja uma das maiores transformações possíveis para a indústria erótica.

A personalização deixa de ser apenas uma escolha feita pelo consumidor e pode passar a ser construída pelo próprio produto.

O sex toy começa a aprender?

Essa é provavelmente uma das perguntas que a indústria começará a fazer cada vez mais.

Até onde um produto erótico poderá adaptar sua experiência ao usuário?

Poderá reconhecer padrões?

Poderá memorizar preferências?

Poderá ajustar automaticamente intensidade, ritmo ou programas?

Poderá criar experiências diferentes de acordo com o histórico de utilização?

A tecnologia já permite imaginar essas possibilidades.

Mas existe uma diferença importante entre o que a tecnologia pode fazer e o que uma marca efetivamente implementou em um produto.

Por isso, é preciso evitar transformar qualquer produto conectado em um produto “que aprende”.

No caso da LELO, o que chama atenção é justamente a combinação entre sensores, adaptação e recursos de inteligência artificial apresentada pela marca.

O próximo salto pode ser a hiperpersonalização

O mercado erótico já trabalha há anos com personalização.

Produtos de diferentes tamanhos, formatos, intensidades e funções permitem que cada consumidor encontre uma experiência mais adequada às suas preferências.

A inteligência artificial pode levar essa lógica para outro patamar.

Em vez de oferecer dez programas diferentes e esperar que o consumidor descubra qual prefere, um sistema inteligente pode, dependendo da tecnologia utilizada, ajustar a experiência a partir das respostas observadas.

É a diferença entre:

“Escolha uma opção.”

e

“Vamos descobrir o que funciona melhor para você.”

Essa mudança pode parecer pequena, mas representa uma nova maneira de pensar o desenvolvimento de produtos.

E o mercado masculino pode ser especialmente interessante

Durante muito tempo, o mercado de produtos eróticos masculinos esteve concentrado em algumas categorias bastante tradicionais.

Agora, o homem também está sendo apresentado a uma nova narrativa de consumo.

Tecnologia.

Design.

Performance.

Bem-estar.

Autocuidado.

Privacidade.

Personalização.

São conceitos que podem aproximar os produtos eróticos de outras categorias premium já incorporadas ao cotidiano masculino.

Um consumidor que já utiliza smartwatch para acompanhar seus exercícios, sono e atividades físicas pode entender com muito mais naturalidade a ideia de um dispositivo tecnológico voltado ao seu bem-estar sexual.

É uma mudança importante de posicionamento.

O produto deixa de ser apenas “um sex toy”

Essa talvez seja a grande transformação.

Quando um produto é vendido apenas como sex toy, sua competição acontece dentro do próprio mercado erótico.

Mas quando ele passa a ser apresentado como tecnologia de bem-estar sexual, seu território se amplia.

Ele passa a conversar com o mercado de wellness, tecnologia, autocuidado e lifestyle.

E isso muda também a forma como a indústria precisa comunicar seus produtos.

Não basta dizer que um produto tem 16 intensidades.

É possível falar sobre personalização.

Não basta falar sobre conectividade.

É possível falar sobre experiência.

Não basta falar sobre potência.

É possível falar sobre adaptação.

A tecnologia começa a mudar não apenas o produto, mas a narrativa de venda.

f2s-lelo-masturbador-masculino Sextoy masculino da LELO entra na era da Inteligência Artificial

Mas existe uma questão que a indústria não poderá ignorar

Quanto mais inteligentes ficam os produtos, maior será a discussão sobre dados.

Um dispositivo capaz de detectar padrões de utilização, armazenar preferências ou se conectar a aplicativos entra em uma categoria muito sensível.

Estamos falando de informações relacionadas à intimidade.

Por isso, privacidade, segurança da informação, transparência sobre o uso de dados e consentimento precisam acompanhar a inovação tecnológica.

No mercado erótico, talvez mais do que em qualquer outro segmento, confiança faz parte do produto.

A próxima geração de sex toys será inteligente?

Ainda é cedo para afirmar até onde essa tecnologia chegará.

Mas uma coisa já está acontecendo: a indústria começa a experimentar uma nova relação entre sensores, inteligência artificial e prazer.

E isso pode mudar completamente o desenvolvimento dos produtos nos próximos anos.

O diferencial não será necessariamente criar o aparelho com mais velocidades ou maior potência.

Pode ser criar aquele que consegue oferecer uma experiência cada vez mais individualizada.

A LELO está colocando essa discussão na mesa com um produto masculino que combina sensores, conectividade e recursos de inteligência artificial.

E, independentemente de até onde essa tecnologia evoluirá, uma pergunta já pode ser feita:

se a inteligência artificial já consegue personalizar o que assistimos, o que compramos, o que ouvimos e como treinamos, por que não poderia também personalizar a maneira como sentimos prazer?

Talvez a verdadeira revolução dos sex toys inteligentes esteja apenas começando.

Publicitária, consultora e especialista no Mercado Erótico, escritora e empresária. Atua no setor erótico brasileiro desde o ano 2000. Presidente da ABIPEA – Associação Brasileira da Indústria e Profissionais do Entretenimento Adulto, é autora de 28 livros de negócios e sobre produtos eróticos para consumidores. Entre 2010 e 2017, presidiu a ABEME – Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico.Citada em mais de 100 teses universitárias e livros de sexualidade, desenvolve e projeta produtos eróticos e cosméticos sensuais para os maiores players do mercado. Criadora, em 2006, do primeiro seminário de palestras para empresários do setor, é apoiadora e presença constante nos mais importantes eventos eróticos do mundo.Idealizou o Prêmio Mercado Erótico, que desde 2016 reconhece empresas, inovações, produtos e iniciativas que impulsionam o desenvolvimento da indústria. É fundadora e coautora do portal MercadoErótico.org.

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