Brinquedos eróticos fora de linha viram relíquias e são disputados por colecionadores

Brinquedos eróticos fora de linha viram relíquias e são disputados por colecionadores

Quando o prazer encontra a nostalgia

Todo mundo conhece alguém que guarda um videogame antigo, um vinil raro ou aquele celular que marcou época. Mas um fenômeno curioso começa a chamar atenção também no universo da sexualidade: brinquedos eróticos que saíram de linha estão ganhando status de verdadeiras relíquias.

Pode parecer estranho para quem está de fora, mas muitos consumidores criam uma relação de confiança com determinados produtos. Depois de anos de uso, descobrem que aquele vibrador favorito deixou de ser fabricado e percebem que nenhum lançamento consegue substituí-lo da mesma forma.

O resultado? Uma verdadeira caça por modelos antigos, edições limitadas e produtos que desapareceram das vitrines.

Nem sempre o mais novo é o mais desejado

A indústria erótica é movida pela inovação. Todos os anos surgem novos materiais, tecnologias, aplicativos e formatos. Mas isso não significa que os consumidores estejam dispostos a abandonar seus favoritos.

Em muitos casos, produtos saem de linha por decisões comerciais, mudanças de fornecedores ou renovação de portfólio. O problema é que alguns desses modelos conquistam uma legião de fãs.

Nos Estados Unidos e na Europa já existem plataformas especializadas na compra e venda de brinquedos eróticos usados e descontinuados. Alguns consumidores procuram exatamente aquele modelo específico que marcou uma fase da vida ou que oferecia uma experiência difícil de encontrar nos lançamentos atuais.

E no Brasil?

Embora ainda não exista um mercado organizado de colecionadores de sex toys no país, alguns sinais mostram que essa tendência pode estar começando.

Um dos exemplos mais curiosos é o crescimento da procura por assistência técnica para brinquedos eróticos. Em São Paulo, um serviço informalmente conhecido como “Hospital dos Vibradores” recebe aparelhos de diversas partes do Brasil para reparo. Segundo reportagem do UOL, a demanda por consertos aumentou significativamente nos últimos anos, principalmente entre consumidores que preferem recuperar um produto antigo a substituí-lo por outro modelo.

O comportamento faz sentido. Muitos vibradores premium custam centenas de reais e, quando apresentam defeitos, os proprietários preferem investir no reparo do que correr o risco de comprar um produto novo que não entregue a mesma experiência.

Mais do que um produto, uma experiência

Diferentemente de outros segmentos, a relação entre consumidor e brinquedo erótico costuma ser bastante pessoal.

A ergonomia, a intensidade das vibrações, o material e até o formato podem influenciar diretamente a satisfação de quem utiliza o produto. Por isso, quando uma marca descontinua um modelo de sucesso, muitas pessoas sentem que perderam algo insubstituível.

É um comportamento semelhante ao observado entre colecionadores de perfumes descontinuados, equipamentos eletrônicos clássicos ou automóveis antigos: nem sempre a versão mais moderna é considerada a melhor.

Uma oportunidade para a indústria

Para fabricantes e lojistas, esse movimento traz uma reflexão interessante.

Quando consumidores continuam procurando um produto anos após sua retirada do mercado, isso revela algo importante sobre sua qualidade, funcionalidade e conexão emocional com o público.

Marcas internacionais já começam a observar esse comportamento e algumas estudam relançamentos de produtos clássicos, versões comemorativas e edições especiais inspiradas em sucessos do passado.

No mercado erótico brasileiro, onde as vendas de vibradores e acessórios íntimos cresceram fortemente nos últimos anos, compreender esse vínculo entre consumidor e produto pode representar uma nova oportunidade de negócios.

O valor da memória também chegou ao prazer

Se antes os brinquedos eróticos eram vistos apenas como produtos de consumo, hoje eles começam a ocupar um espaço diferente na vida de muitos consumidores.

Entre nostalgia, preferência pessoal e busca por qualidade, alguns modelos estão deixando de ser apenas acessórios íntimos para se tornarem verdadeiras peças de desejo.

E, ao que tudo indica, essa tendência está apenas começando.

Publicitária, consultora e especialista no Mercado Erótico, escritora e empresária. Atua no setor erótico brasileiro desde o ano 2000. Presidente da ABIPEA – Associação Brasileira da Indústria e Profissionais do Entretenimento Adulto, é autora de 28 livros de negócios e sobre produtos eróticos para consumidores. Entre 2010 e 2017, presidiu a ABEME – Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico.Citada em mais de 100 teses universitárias e livros de sexualidade, desenvolve e projeta produtos eróticos e cosméticos sensuais para os maiores players do mercado. Criadora, em 2006, do primeiro seminário de palestras para empresários do setor, é apoiadora e presença constante nos mais importantes eventos eróticos do mundo.Idealizou o Prêmio Mercado Erótico, que desde 2016 reconhece empresas, inovações, produtos e iniciativas que impulsionam o desenvolvimento da indústria. É fundadora e coautora do portal MercadoErótico.org.

Verified by ExactMetrics