O brinquedo sexual estava na tomada. Minutos depois, começou o incêndio

O brinquedo sexual estava na tomada. Minutos depois, começou o incêndio

Um quarto vazio, um carregador conectado à tomada e um colchão que começou a pegar fogo. Foi essa a combinação encontrada pelos bombeiros em uma residência de Taman Belimbing Harmoni, em Durian Tunggal, no estado de Malaca, na Malásia.

Segundo informações divulgadas pelo jornal malaio Sinar Daily, um carregador de brinquedo sexual deixado conectado à tomada é apontado como a possível origem do incêndio. O fogo ficou restrito ao colchão de um quarto que não estava ocupado.

Ninguém ficou ferido e a estrutura da residência não sofreu danos.

O chamado foi recebido pelo Departamento de Bombeiros e Resgate de Malaca às 12h55. Sete bombeiros foram enviados ao endereço e chegaram aproximadamente dez minutos depois.

O que realmente aconteceu?

Aqui está a parte que merece atenção.

A reportagem não afirma que o brinquedo sexual apresentou defeito. A informação divulgada pelas autoridades é de que o carregador deixado conectado à tomada é apontado como possível causador do incêndio.

Essa diferença é importante.

Não há, no relato divulgado, uma conclusão técnica detalhando se houve falha no carregador, superaquecimento, problema elétrico na residência, defeito na bateria ou outra circunstância que tenha provocado as chamas.

Por enquanto, trata-se de uma ocorrência associada ao carregamento de um dispositivo.

Brinquedos sexuais também são dispositivos eletrônicos

O episódio chama atenção para uma mudança importante no mercado erótico.

Os brinquedos sexuais deixaram há muito tempo de ser apenas produtos mecânicos ou acessórios simples. Uma parcela crescente dos lançamentos utiliza baterias recarregáveis, motores, circuitos eletrônicos, sensores, conexão Bluetooth e aplicativos.

Na prática, isso coloca esses produtos dentro de uma categoria que exige os mesmos cuidados básicos de outros dispositivos eletrônicos alimentados por bateria.

E existe uma diferença importante entre estar carregando e simplesmente estar guardado.

Durante o carregamento, bateria, circuito e fonte de alimentação estão trabalhando. Por isso, as recomendações do fabricante sobre carregamento não deveriam ser tratadas como aquelas informações pequenas que ninguém lê na embalagem.

O problema pode estar longe do brinquedo

Quando um produto elétrico apresenta uma ocorrência, a primeira reação costuma ser culpar o próprio equipamento.

Mas existem vários elementos envolvidos.

Um carregador inadequado, uma fonte incompatível, um cabo danificado, uma tomada com problema ou uma bateria que apresentou falha podem estar envolvidos em um incidente.

É justamente por isso que não é possível transformar um caso isolado em uma afirmação de que determinado tipo de brinquedo sexual é perigoso.

O que o episódio mostra é que produtos recarregáveis precisam ser tratados como produtos eletrônicos também quando são vendidos por um sexshop.

A responsabilidade começa antes da venda

Para o varejo erótico, esse caso traz uma discussão interessante.

Quanto o vendedor explica sobre o carregamento de um produto?

Na maioria das lojas, o atendimento concentra-se em características como potência, funções, material, tamanho, impermeabilidade, controle remoto e formas de utilização.

As informações sobre bateria e carregamento muitas vezes ficam restritas ao manual.

Existe espaço para melhorar essa comunicação.

Uma orientação simples no momento da venda — utilizar o carregador indicado pelo fabricante, seguir o tempo de carregamento recomendado e interromper o uso diante de sinais anormais — pode evitar que o consumidor trate o produto como um equipamento que pode permanecer indefinidamente conectado à tomada.

Um mercado que precisa falar também sobre segurança

O mercado erótico brasileiro está cada vez mais cheio de produtos tecnológicos. Isso é positivo para a indústria, mas também aumenta a responsabilidade de quem fabrica, importa, distribui e vende.

Quanto mais eletrônica existe dentro de um brinquedo, mais a informação técnica passa a fazer parte da experiência de compra.

O consumidor não precisa conhecer engenharia de baterias para usar um vibrador. Mas precisa receber informações suficientes para saber como carregá-lo e quando deixar de utilizá-lo.

O incêndio ocorrido em Malaca não deixou vítimas e, segundo o relato divulgado, os danos ficaram limitados a um colchão.

Ainda assim, uma cena como essa produz uma pergunta que o mercado deveria fazer antes que outro caso aconteça:

o consumidor sabe realmente como deve carregar o brinquedo sexual que acabou de comprar?

Porque, nesse caso, a história começou com um produto de prazer conectado à tomada — e terminou com bombeiros dentro de uma casa.

Publicitária, consultora e especialista no Mercado Erótico, escritora e empresária. Atua no setor erótico brasileiro desde o ano 2000. Presidente da ABIPEA – Associação Brasileira da Indústria e Profissionais do Entretenimento Adulto, é autora de 28 livros de negócios e sobre produtos eróticos para consumidores. Entre 2010 e 2017, presidiu a ABEME – Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico.Citada em mais de 100 teses universitárias e livros de sexualidade, desenvolve e projeta produtos eróticos e cosméticos sensuais para os maiores players do mercado. Criadora, em 2006, do primeiro seminário de palestras para empresários do setor, é apoiadora e presença constante nos mais importantes eventos eróticos do mundo.Idealizou o Prêmio Mercado Erótico, que desde 2016 reconhece empresas, inovações, produtos e iniciativas que impulsionam o desenvolvimento da indústria. É fundadora e coautora do portal MercadoErótico.org.

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