Quando a fundadora israelense Noam Ruimi entrou pela primeira vez em um site de produtos eróticos, ela não sentiu excitação — sentiu vergonha e desconforto. A experiência de compra, longe de ser prazerosa, foi estranha e pouco atraente, apesar do alto valor do produto. Foi esse contraste entre necessidade, desejo e experiência que despertou uma ideia poderosa: reimaginar a sexualidade como algo elegante, sofisticado e livre de estigmas, assim como o universo da beleza de luxo.
Da intuição ao conceito
Ao compreender como o constrangimento cultural influencia o consumo de produtos de bem-estar íntimo, Noam passou a enxergar uma lacuna clara no mercado. Depois de experimentar lubrificantes e perceber o impacto positivo que isso teve em sua vida íntima, ela concluiu que o problema não estava no produto em si, mas na forma como ele era apresentado.
Sua visão tornou-se ambiciosa: não apenas vender lubrificantes, mas criar uma marca que unisse estética, sensualidade e autoestima feminina — produtos que pudessem estar à vista, na mesa de cabeceira, com o mesmo orgulho de um cosmético premium.
O desafio de construir uma marca de bem-estar íntimo

Transformar essa ideia em negócio não foi simples. No início, Noam enfrentou rejeições de fabricantes que não acreditavam na viabilidade do projeto. Ainda assim, persistiu até encontrar parceiros dispostos a desenvolver uma fórmula que atendesse a critérios rigorosos de textura, sabor, segurança e estabilidade.
A decisão de produzir localmente, mesmo com custos mais elevados, reforçou o compromisso com qualidade e controle absoluto do processo. Para Noam, quando se trata de cuidado íntimo, excelência e segurança não são diferenciais — são pré-requisitos.
Quebrando tabus e construindo presença
Em vez de apostar exclusivamente em influenciadores, Noam optou por assumir pessoalmente a comunicação da marca. Essa escolha trouxe proximidade e autenticidade, mas também exposição. Ela lidou com críticas, julgamentos e especulações pessoais, reflexo direto do tabu que ainda envolve a sexualidade feminina.
Além disso, enfrentou bloqueios e restrições em plataformas digitais, que frequentemente limitam conteúdos relacionados ao bem-estar íntimo. A resposta foi estratégica: adaptar a linguagem, investir em educação e criar narrativas que informam, acolhem e normalizam o tema, sem perder sofisticação.
Impacto real na vida das pessoas
Mais do que números ou crescimento comercial, o que sustenta o propósito da marca são os relatos recebidos diariamente. Histórias de casais que recuperaram a conexão, mulheres que superaram desconfortos físicos e emocionais e pessoas que, pela primeira vez, se sentiram seguras para explorar sua intimidade sem culpa ou vergonha.
Muitos consumidores nunca haviam utilizado produtos íntimos antes, justamente pela falta de identificação com o mercado tradicional. Ao unir design refinado, comunicação empática e qualidade técnica, a marca abriu portas para um público que estava à margem — não por falta de interesse, mas por falta de acolhimento.
A trajetória de Noam Ruimi mostra como o empreendedorismo pode ser uma ferramenta poderosa de transformação cultural. Ao ressignificar o bem-estar íntimo como algo belo, legítimo e desejável, ela não criou apenas uma marca — ajudou a redefinir a forma como a sexualidade pode ser vivida, comunicada e celebrada.












