O próximo sexshop do futuro pode vender experiências, não produtos

O próximo sexshop do futuro pode vender experiências, não produtos

Durante anos, o sucesso de um sexshop foi medido principalmente pelo tamanho do estoque, variedade de produtos e preço.

Mas o consumidor mudou.

Hoje, ter centenas de produtos na prateleira não garante que uma loja será lembrada. O cliente pode encontrar o mesmo vibrador, lubrificante ou cosmético em dezenas de outros lugares.

Por isso, uma pergunta começa a ganhar importância para o varejo erótico:

E se o próximo diferencial do sexshop não estiver no produto, mas no que a loja proporciona ao cliente?

Não significa abandonar os produtos. Significa criar motivos para o consumidor escolher aquela loja, e não simplesmente procurar o menor preço na internet.

O que uma loja pode vender além do produto?

A resposta pode estar em coisas relativamente simples.

Um sexshop pode oferecer consultoria, descoberta, educação, personalização, eventos e relacionamento.

Por exemplo, em vez de apenas organizar os vibradores por marca ou preço, a loja pode criar uma área de descoberta:

“Qual experiência você procura?”

  • Mais intimidade para o casal
  • Novidades para sair da rotina
  • Autocuidado
  • Primeira experiência com um produto
  • Produtos para iniciantes
  • Presentes sensuais
  • Cosméticos para criar um momento a dois

O consumidor chega sem saber exatamente o que comprar e recebe uma orientação.

Isso é muito diferente de simplesmente apontar onde está o produto.

Transforme o vendedor em consultor

Uma das mudanças mais fáceis de implementar está no atendimento.

Em vez de:

“Você está procurando algum produto específico?”

Experimente perguntas como:

“É para você ou para presentear?”

“Você já usa esse tipo de produto?”

“Está procurando algo para experimentar ou para uma necessidade específica?”

“É para usar sozinho ou a dois?”

Com algumas perguntas, o vendedor consegue entender melhor o cliente e indicar produtos com muito mais precisão.

E existe outro ganho: o cliente percebe valor no atendimento.

É muito mais difícil comparar esse tipo de serviço com o preço de uma loja concorrente.

Crie pequenas experiências dentro da loja

Não é preciso transformar o sexshop em um parque de diversões.

Pequenas ações já podem fazer diferença.

Uma loja pode criar:

Dia da descoberta: apresentação de categorias e produtos para clientes iniciantes.

Noite do casal: encontro reservado, com dicas, produtos e cosméticos voltados para relacionamento.

Dia da beleza íntima: parceria com profissionais para falar sobre autocuidado e bem-estar.

Lançamento experimental: apresentação de uma novidade para um grupo pequeno de clientes.

Consultoria individual: horário reservado para quem prefere comprar com mais privacidade.

O importante é criar uma razão para a pessoa ir até a loja, e não apenas comprar pela internet.

O produto pode vir acompanhado de conteúdo

Outra oportunidade simples é parar de entregar somente a embalagem.

Uma compra pode levar o cliente para uma experiência digital.

Um QR Code na embalagem ou na comunicação da loja pode direcionar para:

  • vídeo explicativo;
  • guia de utilização;
  • sugestões de combinações;
  • conteúdo educativo;
  • cuidados e conservação;
  • ideias para usar o produto;
  • seleção de produtos complementares.

Isso também ajuda a aumentar o ticket médio.

Quem compra um produto pode descobrir outros itens que fazem sentido para aquela experiência.

Monte kits pensando no momento, não na categoria

Essa é uma mudança que qualquer loja pode testar.

Em vez de vender:

“Vibrador + lubrificante + cosmético”

por que não criar:

“Kit Primeira Experiência”

ou

“Kit Noite a Dois”

ou

“Kit Saindo da Rotina”

ou

“Kit Autocuidado”?

O consumidor não precisa montar sozinho a solução.

A loja faz essa curadoria.

E isso pode aumentar o valor percebido do conjunto.

Crie um clube de clientes

Outra possibilidade é transformar compradores ocasionais em clientes recorrentes.

O clube pode oferecer:

  • acesso antecipado a lançamentos;
  • descontos especiais;
  • eventos exclusivos;
  • conteúdo;
  • brindes;
  • consultoria;
  • condições diferenciadas em determinadas categorias.

Não precisa começar com um sistema complicado.

Uma base de clientes bem organizada e uma comunicação personalizada pelo canal que a loja já utiliza podem ser suficientes para começar.

A loja física precisa oferecer aquilo que o e-commerce não oferece

Esse talvez seja o ponto mais importante.

Uma loja virtual tem uma enorme vantagem: conveniência.

A loja física precisa ter outras.

Atendimento.

Privacidade.

Curadoria.

Possibilidade de tirar dúvidas.

Descoberta de novidades.

Eventos.

Contato humano.

Experiências.

Se o consumidor atravessou a cidade para chegar ao sexshop e encontrou apenas prateleiras, preços e uma máquina de cartão, talvez ele não tenha um motivo forte para voltar.

Mas se encontrou atendimento, informação e uma experiência agradável, a situação muda.

E as marcas também podem entrar nessa transformação

A mudança não depende apenas dos lojistas.

As marcas podem ajudar criando materiais de treinamento, experiências para lançamento, conteúdos exclusivos, demonstrações e ações para consumidores.

Uma novidade não precisa ser apresentada apenas como:

“Novo produto da marca X.”

Pode ser lançada como:

“Uma nova forma de experimentar X.”

Essa diferença muda a comunicação e pode criar muito mais interesse.

O futuro pode ser menos “prateleira” e mais “curadoria”

O consumidor não precisa necessariamente de mais opções.

Muitas vezes, ele precisa de ajuda para escolher entre as opções que já existem.

Esse pode ser um dos grandes papéis do sexshop nos próximos anos.

Não ser apenas o lugar onde o produto está disponível, mas o lugar onde o consumidor descobre qual produto faz sentido para ele.

Isso exige treinamento, criatividade e conhecimento do público.

Mas não exige necessariamente grandes investimentos.

Comece pequeno.

Escolha uma categoria.

Crie uma experiência.

Monte um kit.

Treine a equipe.

Teste.

Observe o comportamento dos clientes.

E depois amplie o que funcionar.

O próximo diferencial pode estar naquilo que acontece antes e depois da venda

O produto continuará sendo importante. Afinal, é ele que gera boa parte do faturamento.

Mas a loja que conseguir criar uma relação mais interessante com o consumidor pode sair da disputa puramente por preço.

O próximo sexshop não precisa vender menos produtos.

Pode vender mais valor em torno deles.

E talvez essa seja uma das maiores oportunidades para o varejo erótico: deixar de pensar apenas em “o que colocar na prateleira” e começar a pensar em “o que fazer o cliente querer viver, descobrir e voltar para experimentar novamente”.

Publicitária, consultora e especialista no Mercado Erótico, escritora e empresária. Atua no setor erótico brasileiro desde o ano 2000. Presidente da ABIPEA – Associação Brasileira da Indústria e Profissionais do Entretenimento Adulto, é autora de 28 livros de negócios e sobre produtos eróticos para consumidores. Entre 2010 e 2017, presidiu a ABEME – Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico.Citada em mais de 100 teses universitárias e livros de sexualidade, desenvolve e projeta produtos eróticos e cosméticos sensuais para os maiores players do mercado. Criadora, em 2006, do primeiro seminário de palestras para empresários do setor, é apoiadora e presença constante nos mais importantes eventos eróticos do mundo.Idealizou o Prêmio Mercado Erótico, que desde 2016 reconhece empresas, inovações, produtos e iniciativas que impulsionam o desenvolvimento da indústria. É fundadora e coautora do portal MercadoErótico.org.

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