Com texto e direção de Biagio Pecorelli, o espetáculo é um comédia sobre o colapso das masculinidades e estreia dia 23 de janeiro, no Cemitério de Automóveis
Já não é de hoje que o conhecido e premiado ator de cinema adulto e criador de conteúdo, Nego Catra atua fora dos sets pornôs. Quem o conhece pessoalmente sabe que, desde sempre, sua inquietação e talento o levou para outras artes como a música, e atividades como a reportagem, a apresentação de talk shows e até mesmo como palestrante em sexualidade, ele vem se destacando.
No teatro, Nego Catra voltou a ser Afonso Bispo Jr e encontrou o prazer de atuar em grandes histórias, ao vivo, em frente ao público, desde 2024. Teve a honra de emprestar seu corpo e alma a personagens famosos da literatura brasileira.
Nesta sexta, 23 de janeiro, ele irá subir novamente ao palco do espaço Cemitério de Automóveis em São Paulo, para encenar o personagem Maurício no espetáculo “A Culpa é dos Javalis”.

A comédia sobre o colapso das masculinidades é uma produção da Cia Motoserra Perfumada com texto e direção de Biagio Pecorelli e também traz no elenco Camila Ríos, Victor Moretti Bernardo Mendes, Carcarah, e Ernani Sanchez.
Veja abaixo a entrevista exclusiva que o artista concedeu ao Mercadoerotico.org sobre as delícias e dores dessa transição profissional:
ME – Há quanto tempo você tem atuado como ator fora do pornô?
NC – Eu tô no teatro há 1 ano. Comecei em 2024, na peça “O Gran Circo do Fim do Mundo”, através do convite do meu grande amigo Xexéu. A ideia era eu entrar só como mestre de cerimônia… mas o teatro me puxou de um jeito que eu não esperava.
Foi ali que eu conheci a Juliana Roberta e a Vicky Justiliano, duas mulheres gigantes, que fazem arte com verdade e que carregam no corpo e na fala a força do empoderamento feminino. E elas me atravessaram com uma pergunta simples, mas que mudou tudo:
“Você não quer atuar?”
Eu respondi na hora: eu quero. Eu tenho vontade. Eu sempre tive.
E mais do que atuar por atuar… eu tenho o sonho de fazer um solo meu, interpretando Seu Zé Pelintra, e ao mesmo tempo trazendo o Afonso no palco, desabafando, expondo minha vida, minhas dores e minha fé — porque eu sou isso: o espiritual e o humano andando juntos.
Então sim… meu começo no teatro foi em 2024. E desde o primeiro passo eu entendi: isso aqui não é brincadeira. Isso aqui é destino.
ME – Quantos trabalhos você já fez fora do pornô e quais foram?
NC – Eu já fiz alguns trabalhos no teatro, e todos eles foram acontecendo em sequência, me colocando cada vez mais dentro do palco e da minha verdade como ator.
Primeiro eu fiz “Versão de Mim” (2024). Em 2025 entrei no projeto “17 Vezes Nelson Rodrigues”, em São Paulo, no Espaço Barra, com direção do Nelson Baskerville, onde tive a honra de ser protagonista, interpretando Boca de Ouro e Ismael, em “Anjo Negro”.
Na sequência, eu participei de “Bonitinha, mas Ordinária”, também em São Paulo, no Teatro Contêiner, novamente com direção do Nelson Baskerville. Eu comecei no elenco de apoio e fui crescendo dentro da montagem, até fazer personagens como o Massagista e o Arthurzinho.
Depois desse caminho, eu fui chamado pelo diretor Bruce Gomlevsky, que me convidou para integrar a montagem de “Bonitinha, mas Ordinária” no SESC Santo Amaro. Lá, eu fiz Fontainha, um dos ricos da festa do Heitor Werneck, e também o Cadelão.
E agora, em 2026, eu estou em cartaz com o espetáculo “A Culpa é dos Javalís”.
O que eu gosto de falar com orgulho é isso: eu cheguei no teatro com verdade, com entrega e com disciplina… E hoje, eu sigo construindo minha trajetória no palco, do jeito que tem que ser: com bastante esculpa e querendo aprender muito com os diretores que trabalho e meus companheiros de peça.
ME – Você encontra ou já encontrou preconceito entre seus colegas desses trabalhos ou do público por ter uma carreira no pornô? Ou eles tem encarado de forma natural?
NC – Eu já senti preconceito sim… Porque a sociedade adora consumir, mas odeia respeitar quem faz. O pornô vira uma “marca” na testa de quem trabalha, e tem muita gente que julga sem nem sentar cinco minutos pra conversar com você.
Mas no teatro eu encontrei uma coisa bonita: respeito pela arte e pelo corre. Os diretores e os colegas com quem eu trabalhei entenderam que eu não sou só um “título” ou um “rótulo”. Eu sou um artista completo, e eu cheguei pra somar, estudar e fazer acontecer.
E o público… É aquela história: sempre vai ter um ou outro que vem com preconceito, mas quando a cena começa e você entrega, o palco cala qualquer julgamento. Porque ali não importa de onde você veio… Importa o que você faz com a sua verdade.
ME – Conta para gente mais detalhes sobre o seu personagem nessa peça e algumas curiosidades do seu processo para construir essa personagem
NC – Nessa peça, a história acompanha cinco homens que se reencontram num ponto de ônibus no meio do nada, logo depois de uma festa de casamento que deu muito errado. Com humor ácido, a trama vai abrindo espaço pras confissões e pras tensões do grupo, enquanto a presença de Betty Braite aparece como um mistério que atravessa tudo.
O meu personagem é o Maurício, um desses cinco caras que vêm dessa festa e acabam parando nesse ponto. Ele é um homem que carrega uma sensação de estar há muito tempo vivendo no automático, tentando sustentar uma imagem… Até que naquela noite tudo sai do controle.
E tem uma curiosidade importante: é a primeira vez que eu tô fazendo uma comédia no teatro — e eu tô amando. Porque a comédia tem um tempo, uma energia e uma verdade diferente… E o Maurício me dá esse desafio.
ME – Além dessa peça, quais outros trabalhos você já tem em vista?
NC – Eu tô numa fase muito importante da minha carreira. Tô na edição do meu programa “Metendo o Louco com Nego Catra”, que é um talk show com plateia, do meu jeito: verdadeiro, direto e sem filtro, trazendo convidados de várias áreas — porque eu gosto de conversar com gente de tudo quanto é mundo, e transformar isso em troca real com o público.
E esse ano eu quero voltar com força total pras palestras, principalmente falando sobre sexualidade, que é um tema que eu carrego com responsabilidade, vivência e verdade. Também quero participar de mais rodas de masculinidades, porque eu acredito muito nesse espaço de escuta e transformação — é onde a gente se entende, se cobra e evolui como homem.
E pra completar, eu quero trabalhar ainda mais no cinema nacional. Eu tô com sede de projetos grandes, personagens desafiadores e histórias que mexam com as pessoas. Eu não tô parado: eu tô em construção. E eu vim pra crescer.
ME – Você ainda está produzindo conteúdo adulto e fazendo filmes pornôs, onde o pessoal pode conferir suas produções?
NC – Sim — eu dei uma pausa nas gravações de pornô.
Eu tô numa fase bem focada em outras áreas da minha carreira: teatro, cinema, palestras e no meu programa. Também quero voltar mais forte como repórter e ampliar meus trabalhos como influenciador, com conteúdo e presença.
Mas minhas plataformas continuam online, do jeito que sempre foi. Quem quiser acompanhar e se divertir, é só acessar: Privacy e Xvideos.
Serviço
A Culpa é dos Javalis
Datas: 23 de janeiro a 08 de fevereiro
Horários: Sextas e sábados às 21h | Domingo às 20h
Local: Rua Francisca Miquelina, 155 – Cemitério de Automóveis, São Paulo
Duração: 79
Ingressos: Inteira R$ 50 | Meia R$ 25
linktr.ee/amotosserraperfumada












