“Aspirador de vagina”: o produto francês que quer resolver o que acontece depois do sexo

“Aspirador de vagina”: o produto francês que quer resolver o que acontece depois do sexo

Chamado de WOUMER, dispositivo francês foi criado para recolher fluidos residuais após a relação sexual. Recarregável, reutilizável e desenvolvido com aspiração suave, o produto quer transformar uma situação comum em uma questão de conforto íntimo.

Existe um momento do sexo que quase nunca aparece nas conversas sobre sexualidade: o que acontece depois.

Após uma relação sexual, especialmente quando há ejaculação vaginal, parte dos fluidos pode permanecer na vagina e começar a sair posteriormente. Para algumas mulheres, isso significa horas de sensação de umidade, necessidade de usar papel, trocar a roupa íntima ou recorrer a protetores diários.

Foi para essa situação específica que a francesa Morgane Joliveau criou o WOUMER, apresentado pela empresa como um dispositivo de aspiração de fluidos pós-relação sexual. O produto levou cerca de dois anos entre pesquisa e desenvolvimento e nasceu de uma experiência pessoal da própria criadora.

Mas afinal, o que é o WOUMER?

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À primeira vista, chamá-lo de “aspirador de vagina” pode parecer uma provocação.

Tecnicamente, porém, trata-se de um pequeno dispositivo desenvolvido para recolher fluidos que permanecem na região vaginal após a relação sexual.

O aparelho possui um cabo, botão de acionamento, reservatório removível e uma ponteira que fica posicionada apenas na entrada da vagina. A aspiração acontece de maneira superficial: o dispositivo não precisa ser introduzido profundamente.

O fluido é direcionado para um reservatório próprio, que pode ser retirado do aparelho e lavado após o uso.

A proposta é justamente evitar improvisos com papel higiênico, lenços ou outros produtos descartáveis.

Como ele funciona?

O funcionamento é relativamente simples.

Depois da relação, a mulher posiciona a ponteira na entrada vaginal e aciona o aparelho. Uma aspiração de baixa potência ajuda a retirar os fluidos que permanecem na região, armazenando-os no reservatório.

Segundo a criadora, a potência é muito inferior à de um aspirador doméstico. O objetivo não é criar uma sucção forte, mas uma aspiração delicada o suficiente para recolher os fluidos sem produzir um efeito de “ventosa”.

O dispositivo possui diferentes níveis de potência, permitindo ajustar a intensidade da aspiração.

A proposta divulgada pelo fabricante é que o procedimento leve apenas alguns segundos.

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Ele precisa ser colocado dentro da vagina?

Não.

Essa é provavelmente uma das principais dúvidas que o produto provoca.

O WOUMER foi projetado para trabalhar na entrada da vagina, e não para ser introduzido profundamente.

De acordo com a explicação da criadora, a baixa intensidade da aspiração também foi pensada para que o dispositivo não interfira com um DIU, que fica localizado no útero.

Isso também diferencia o produto de uma ducha vaginal.

Não é uma ducha vaginal

Essa diferença é fundamental.

Uma ducha vaginal envolve a introdução de líquidos no interior da vagina para realizar uma lavagem. O WOUMER segue uma lógica completamente diferente: não introduz líquidos nem produtos; ele apenas recolhe fluidos residuais.

A proposta, portanto, não é “lavar” a vagina.

E isso é importante porque a vagina não precisa de limpeza interna rotineira. A utilização de duchas vaginais pode alterar o equilíbrio natural da microbiota e não deve ser confundida com higiene íntima externa.

O WOUMER foi desenvolvido especificamente para o período pós-relação e não para substituir os cuidados normais de higiene.

O produto pode ser usado durante a menstruação?

Não é essa a finalidade do aparelho.

A própria criadora explica que o WOUMER foi desenvolvido exclusivamente para a situação pós-relação e não é indicado para retirar o sangue menstrual nem para eliminar as secreções vaginais naturais do dia a dia.

Isso faz sentido dentro da proposta do produto.

Secreções vaginais fazem parte do funcionamento natural do organismo e não devem ser tratadas automaticamente como algo que precisa ser removido.

O WOUMER foi criado para uma situação bastante específica: os fluidos residuais relacionados à relação sexual.

E o que acontece com o fluido depois?

Ele fica armazenado no reservatório do próprio aparelho.

Essa peça pode ser retirada do cabo para facilitar a limpeza. Segundo as informações divulgadas sobre o produto, o reservatório pode ser lavado com água e sabão. O dispositivo também foi projetado para ser impermeável.

Outro diferencial é que ele é recarregável e reutilizável, em vez de depender de pilhas descartáveis ou de materiais absorventes de uso único.

A proposta inclui ainda um formato compacto, pensado para transporte em viagens.

Precisa usar imediatamente depois do sexo?

Não necessariamente.

A ideia do produto não é interromper o momento de intimidade para correr ao banheiro.

Segundo a explicação da fundadora, é possível esperar alguns minutos antes de utilizá-lo. Entretanto, quanto mais tempo passa, mais os fluidos podem se espalhar, tornando a coleta menos eficiente.

Ou seja, a proposta é oferecer uma alternativa para o pós-sexo, e não transformar o momento imediatamente posterior à relação em um novo ritual obrigatório.

Ele evita gravidez?

Não.

E esse é um dos pontos mais importantes sobre o produto.

O WOUMER não é contraceptivo, não substitui a camisinha e não deve ser utilizado como método para evitar gravidez.

A retirada posterior de fluidos não impede que espermatozoides já tenham avançado pelo trato reprodutivo. Portanto, utilizar o dispositivo depois de uma relação sem proteção não funciona como contracepção de emergência.

Da mesma forma, ele não oferece proteção contra ISTs.

Quanto custa?

O produto foi apresentado inicialmente na França por 89 euros em preço de lançamento, com preço posteriormente previsto de 139 euros, segundo o Les Numériques.

O posicionamento é, portanto, de um produto de tecnologia e bem-estar íntimo de categoria premium.

Mais do que um novo acessório sexual, a proposta é criar uma categoria própria dentro do mercado de higiene e conforto íntimo pós-relação.

Uma invenção estranha ou uma necessidade real?

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Talvez as duas coisas possam ser verdade.

O WOUMER certamente é um produto que chama atenção pelo conceito. Afinal, não é todo dia que aparece no mercado um “aspirador” criado especificamente para depois do sexo.

Mas existe uma questão interessante por trás da invenção.

Muitas mulheres já desenvolveram suas próprias soluções para lidar com os fluidos pós-relação: papel higiênico, lenços, banho, troca de roupa íntima e até produtos originalmente criados para outras finalidades.

A criadora do WOUMER conta que ouviu relatos de mulheres que utilizavam protetores diários e até calcinhas menstruais para lidar com esse desconforto.

O que ela fez foi olhar para esse comportamento e perguntar:

e se existisse um produto criado especificamente para isso?

Foi dessa pergunta que nasceu o WOUMER.

O produto inaugura uma nova categoria?

Ainda é cedo para afirmar.

Mas o lançamento mostra uma transformação interessante no mercado de bem-estar íntimo.

Nem toda inovação precisa estar relacionada diretamente ao prazer sexual.

Há espaço para produtos que resolvem problemas relacionados ao conforto, à higiene, à saúde íntima e às diferentes etapas da experiência sexual.

O WOUMER aposta justamente nesse território.

Um produto pequeno, específico e bastante inusitado para uma necessidade que, até agora, era resolvida principalmente de maneira improvisada.

E talvez essa seja a parte mais interessante dessa história:

às vezes, uma nova categoria de mercado começa com uma pergunta que parece estranha — até alguém decidir transformá-la em produto.

Publicitária, consultora e especialista no Mercado Erótico, escritora e empresária. Atua no setor erótico brasileiro desde o ano 2000. Presidente da ABIPEA – Associação Brasileira da Indústria e Profissionais do Entretenimento Adulto, é autora de 28 livros de negócios e sobre produtos eróticos para consumidores. Entre 2010 e 2017, presidiu a ABEME – Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico.Citada em mais de 100 teses universitárias e livros de sexualidade, desenvolve e projeta produtos eróticos e cosméticos sensuais para os maiores players do mercado. Criadora, em 2006, do primeiro seminário de palestras para empresários do setor, é apoiadora e presença constante nos mais importantes eventos eróticos do mundo.Idealizou o Prêmio Mercado Erótico, que desde 2016 reconhece empresas, inovações, produtos e iniciativas que impulsionam o desenvolvimento da indústria. É fundadora e coautora do portal MercadoErótico.org.

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