Por Karina Brum
A menopausa não encerra a sexualidade feminina. Mas pode mudar a maneira como o corpo responde sexualmente. As alterações hormonais que acontecem durante o climatério e após a menopausa podem produzir mudanças importantes nos tecidos vulvares e vaginais. Algumas mulheres percebem menor lubrificação, sensação de ressecamento, ardência, desconforto durante a penetração ou mudanças na resposta de excitação. Também podem ocorrer alterações no desejo sexual.
E existe uma diferença importante: desejo, excitação, lubrificação e orgasmo não são a mesma coisa. Uma mulher pode desejar sexualmente alguém e apresentar dificuldade de lubrificação. Pode lubrificar e não estar desejando aquela relação. Pode ter desejo, excitação e ainda assim encontrar dificuldade para chegar ao orgasmo. Por isso, reduzir toda dificuldade sexual feminina à expressão “falta de libido” é simplificar demais uma experiência muito mais complexa.
O mercado de saúde sexual feminina começou a perceber algo que durante décadas recebeu pouca atenção: mulheres maduras continuam sendo sexualmente ativas e precisam de produtos desenvolvidos considerando as mudanças do corpo ao longo da vida. Hoje encontramos lubrificantes com diferentes formulações, hidratantes vaginais, vibradores externos, dilatadores progressivos, dispositivos de treinamento do assoalho pélvico e tecnologias voltadas à saúde íntima feminina. Esses recursos possuem funções diferentes.
Lubrificante não é a mesma coisa que hidratante vaginal.
O lubrificante reduz o atrito durante a atividade sexual. O hidratante vaginal é utilizado regularmente para auxiliar na manutenção da hidratação dos tecidos, quando indicado. Já os vibradores podem auxiliar na exploração da resposta sexual e proporcionar estimulação intensa e consistente, enquanto dilatadores possuem indicações específicas e podem integrar determinados tratamentos. E os famosos exercícios de Kegel? Outro mercado em crescimento é o dos treinadores inteligentes do assoalho pélvico. Alguns dispositivos utilizam sensores e aplicativos para fornecer feedback sobre a contração muscular durante exercícios. Mas existe um detalhe fundamental: nem toda mulher precisa fortalecer o assoalho pélvico. Algumas apresentam musculatura excessivamente tensionada. Nesses casos, realizar exercícios de contração indiscriminadamente pode não ser a melhor estratégia. Dor na penetração, dificuldade de relaxamento e outras alterações precisam de avaliação adequada, frequentemente envolvendo ginecologista e fisioterapeuta especializado em saúde pélvica.
Outro erro frequente é continuar mantendo relações com dor na esperança de que o corpo “se acostume”. Dor sexual recorrente merece investigação. Não é normal sentir dor toda vez que recebe penetração – seja por um pênis, dedo ou vibrador. Quando uma experiência sexual repetidamente provoca dor, o cérebro pode começar a antecipar ameaça. Surge então um ciclo bastante conhecido:
medo da dor → tensão muscular → menor excitação → maior desconforto → confirmação do medo.
Nesse contexto, simplesmente “tentar relaxar” costuma ser insuficiente. Dependendo da causa, o tratamento pode envolver avaliação médica, fisioterapia pélvica, intervenções psicológicas/sexológicas e recursos auxiliares.
Sexualidade madura não significa sexualidade menor. Existe ainda uma dimensão psicológica importante. Muitas mulheres atravessam a menopausa carregando uma mensagem cultural cruel: envelhecer significaria deixar de ser desejável. E isso não está nem perto da verdade. O corpo muda. A resposta sexual pode mudar. A maneira de produzir excitação também pode mudar. Mas essa mudança não significa desaparecimento. Talvez uma das tarefas mais interessantes da sexualidade depois dos 40 seja abandonar a tentativa de reproduzir exatamente o corpo sexual dos 20 anos e descobrir como o corpo de hoje sente prazer – e a tecnologia pode ajudar nesse processo. Mas o protagonista continua sendo o mesmo: o próprio corpo.
Procure informações sobre prazer, fisiologia do orgasmo, qual melhor vibrador pra minha atual fase em lugares onde o saber é cientifico, acolhedor, ético e humanista – só procurar ajuda nas redes sociais, pode piorar muito a sua situação.
É isso, beijos da Ka.












