A CES 2026, maior vitrine global de inovação tecnológica, deixou um recado claro ao mercado: a Sex Tech entrou definitivamente no radar da indústria de tecnologia de ponta. Mais do que curiosidades ou produtos excêntricos, os dispositivos apresentados este ano mostram um setor mais maduro, ousado e estrategicamente posicionado entre prazer, bem-estar, inteligência artificial e conectividade.
Nesta edição, dois grandes eixos se destacaram:
- dispositivos de estimulação peniana mais potentes, modulares e conectados
- companheirismo sexual e emocional mediado por inteligência artificial
Ambos apontam para uma transformação profunda no modo como o prazer adulto é concebido, desenvolvido e consumido.
Estimulação masculina ganha potência, controle e protagonismo
Um dos destaques da CES 2026 foi a evolução dos sex toys voltados ao prazer masculino, especialmente os dispositivos de estimulação peniana. A lógica apresentada não é mais a do brinquedo simples, mas a de máquinas de experiência íntima, com alto desempenho, ergonomia refinada e múltiplas possibilidades de uso.
O Handy 2 Pro, por exemplo, chamou atenção pela potência elevada, autonomia de bateria e modos avançados de estimulação, evidenciando uma tendência clara:
o consumidor masculino está disposto a investir em tecnologia, performance e personalização.

Esses produtos dialogam diretamente com um novo perfil de usuário, que busca controle fino de estímulos, integração com conteúdos digitais e experiências mais intensas — muitas vezes mediadas por aplicativos.
Para o mercado erótico, isso significa:
- maior ticket médio
- necessidade de educação do consumidor
- fortalecimento da categoria de masturbadores tecnológicos premium
IA e companheirismo: quando o prazer deixa de ser apenas físico
Outro ponto que marcou a CES 2026 foi a apresentação de soluções que unem inteligência artificial, robótica e sexualidade. A Lovense apresentou a Emily, uma boneca companheira com IA capaz de conversar, lembrar interações anteriores e desenvolver respostas personalizadas ao longo do tempo.
Esse tipo de produto inaugura uma nova camada no mercado erótico:
🔹 não apenas estimulação corporal
🔹 mas vínculo emocional, interação contínua e presença digital-física

Embora ainda seja um segmento em desenvolvimento, ele aponta para um futuro onde prazer, companhia e tecnologia se misturam — especialmente relevante em um contexto global de solidão, consumo individualizado e experiências digitais profundas.
Sex Tech deixa o nicho e ocupa espaço estratégico
O fato de esses produtos estarem presentes na CES, mesmo que ainda cercados de curiosidade e polêmica, reforça uma mudança estrutural:
a sexualidade passa a ser tratada como parte legítima da indústria de tecnologia e bem-estar.
Design mais limpo, materiais premium, foco em saúde íntima e experiência do usuário mostram que o setor está se afastando do estigma e se aproximando de uma linguagem mais próxima da tech industry tradicional.
Para fabricantes, distribuidores e lojistas do Mercado Erótico, os sinais são claros:
- inovação tecnológica será cada vez mais decisiva
- produtos híbridos (hardware + software) tendem a crescer
- prazer masculino vive um novo ciclo de expansão e sofisticação
O que a CES 2026 ensina ao mercado brasileiro
Embora muitos desses produtos ainda não estejam disponíveis no Brasil, a CES 2026 funciona como um termômetro do que vem pela frente. O mercado brasileiro, historicamente criativo e resiliente, encontra aqui uma oportunidade de:
- antecipar tendências
- investir em desenvolvimento local
- reposicionar categorias já existentes com mais tecnologia e valor
A Sex Tech apresentada na CES não fala apenas de sexo — fala de experiência, autonomia, conexão e futuro.
O que é a CES 2026

A CES 2026 (Consumer Electronics Show) é a maior e mais influente feira de tecnologia do mundo, realizada anualmente em Las Vegas (EUA) e organizada pela Consumer Technology Association (CTA). O evento reúne milhares de empresas, startups, investidores, desenvolvedores e veículos de imprensa de todos os continentes para apresentar as principais inovações tecnológicas que devem impactar o mercado global nos próximos anos.
Tradicionalmente conhecida por lançamentos de eletrônicos de consumo, inteligência artificial, robótica, mobilidade, saúde digital e dispositivos conectados, a CES vem ampliando seu escopo e, nos últimos anos, passou a abrir espaço — ainda que de forma criteriosa — para soluções ligadas ao bem-estar, à experiência humana e à tecnologia aplicada à sexualidade.
A presença crescente da Sex Tech na CES não significa apenas visibilidade, mas validação: produtos íntimos deixam de ser tratados como curiosidades e passam a integrar o ecossistema da inovação global. Para o mercado erótico, a CES funciona como um termômetro de tendências, antecipando comportamentos de consumo, avanços tecnológicos e oportunidades estratégicas que, em pouco tempo, refletem diretamente na indústria e no varejo em todo o mundo.












