Estudo médico cria critérios para escolher o melhor vibrador para cada necessidade

Estudo médico cria critérios para escolher o melhor vibrador para cada necessidade

Pesquisa publicada por especialistas em saúde sexual vai muito além de discutir os efeitos da vibração: o trabalho apresenta recomendações sobre tamanho, formato, intensidade, uso interno, uso anal e segurança

Quando alguém pergunta qual é o melhor vibrador, a resposta mais comum do mercado costuma envolver potência, formato, preço ou tecnologia.

Mas existe uma pergunta anterior: melhor para qual necessidade?

Em 2018, seis especialistas em saúde sexual publicaram um trabalho científico dedicado justamente a essa questão. O estudo “Genital vibration for sexual function and enhancement: best practice recommendations for choosing and safely using a vibrator” apresenta recomendações práticas para a escolha e o uso seguro de vibradores.

Entre os autores estão especialistas da Mayo Clinic, da University of North Carolina at Charlotte e da Indiana University, incluindo profissionais de psicologia, urologia, fisioterapia e medicina.

O trabalho não escolhe uma marca ou um modelo. Também não estabelece um “vibrador universal”. A proposta é outra: relacionar as características do produto à finalidade e às necessidades de quem vai utilizá-lo.

E algumas das recomendações são bastante específicas.

Para começar: tamanho importa

Se o vibrador será utilizado para penetração, os pesquisadores recomendam considerar cuidadosamente suas dimensões.

Para pessoas que apresentam dor genital, pélvica ou durante a penetração e ainda desejam utilizar vibração interna, o trabalho recomenda considerar dispositivos de comprimento e circunferência médios ou menores, com superfície lisa e, quando possível, sem emendas no eixo.

A vibração externa também pode ser considerada nesses casos.

A conclusão prática para o consumidor é simples: um produto maior não significa necessariamente um produto mais adequado.

Para uso anal, existe uma regra de segurança

Aqui a recomendação é particularmente objetiva.

Qualquer vibrador destinado à inserção anal deve ter uma base larga ou uma alça que impeça que o produto entre completamente no canal anal.

Não é uma questão estética. É uma característica de segurança.

Para o varejo, isso também significa que a informação deveria aparecer de maneira clara na embalagem e na descrição do produto, especialmente quando ele for comercializado para essa finalidade.

Potência não é a única coisa que importa

Quem procura uma vibração mais intensa pode considerar modelos elétricos que ofereçam diferentes velocidades e níveis de intensidade.

A possibilidade de regulagem permite adaptar a estimulação à preferência individual.

Isso coloca uma diferença importante para quem compra: potência máxima e capacidade de controle não são exatamente a mesma coisa.

Um vibrador extremamente potente pode não ser a escolha mais adequada para determinada pessoa. Um modelo com várias intensidades pode oferecer maior possibilidade de adaptação.

E quando existe dor?

Esse é um dos pontos que mais aproximam o estudo da prática clínica.

A publicação discute o uso da vibração em situações que envolvem dor genital e pélvica e destaca que a escolha do dispositivo deve considerar o conforto e a finalidade da utilização.

Para uso interno, os autores sugerem atenção especial ao tamanho e à superfície do produto. Para algumas pessoas, a estimulação externa pode ser uma alternativa.

Isso não significa que qualquer vibrador seja um tratamento para dor.

A recomendação diz respeito à escolha e utilização do dispositivo, enquanto a causa da dor continua sendo uma questão que pode exigir avaliação profissional.

O estudo também considera o silêncio

Ruído pode parecer um detalhe de mercado, mas aparece entre as características que podem influenciar a escolha.

Para pessoas preocupadas com privacidade, os pesquisadores sugerem considerar produtos mais silenciosos. Portabilidade, funcionamento sem fio e possibilidade de utilização em ambientes nos quais o produto possa ser molhado também entram na análise, desde que o dispositivo seja projetado para isso.

É um detalhe interessante para fabricantes e lojistas: características que muitas vezes aparecem apenas como argumentos de venda podem ter uma função prática para o usuário.

Lubrificante também faz parte da escolha

Outro ponto abordado é a utilização de lubrificante.

Os pesquisadores discutem a necessidade de reduzir o atrito durante a inserção e chamam atenção para a compatibilidade entre o lubrificante e o material do vibrador.

Para quem comercializa produtos eróticos, essa é uma informação que merece estar muito mais próxima da descrição do produto.

Não basta dizer que um vibrador é de determinado material. A orientação sobre quais produtos podem ser utilizados junto dele também ajuda o consumidor a fazer uma escolha mais segura.

Compartilhar ou não compartilhar?

O estudo recomenda cautela com o compartilhamento de dispositivos sexuais por causa do risco de transmissão de infecções.

Quando um produto for utilizado por mais de uma pessoa, questões de higiene e proteção precisam fazer parte da orientação.

É mais uma informação que poderia acompanhar o produto no ponto de venda, em vez de ficar restrita a manuais médicos.

E a ciência encontrou benefícios da vibração?

Sim, mas aqui é preciso separar evidência científica de propaganda.

O mesmo grupo de pesquisadores publicou, também em 2018, uma revisão sobre as evidências disponíveis para o uso da vibração genital na função sexual.

Os autores encontraram evidências favoráveis ao uso da estimulação vibratória em algumas situações, incluindo disfunção erétil, disfunções ejaculatórias e anorgasmia. Também identificaram resultados relacionados a dificuldades de excitação sexual e função do assoalho pélvico.

Mas os próprios pesquisadores fazem uma ressalva importante: a evidência não tem a mesma força para todas as aplicações. A revisão foi narrativa, baseada na literatura disponível até agosto de 2016, e os autores apontam a necessidade de mais estudos.

Portanto, não é correto transformar o trabalho em uma promessa de que “vibrador trata disfunções sexuais”.

O que a pesquisa permite dizer é mais específico: a vibração genital já foi estudada como recurso potencialmente útil em diferentes aspectos da função sexual.

O que isso muda para o mercado erótico?

Talvez essa seja a parte mais interessante do estudo.

Durante muito tempo, a comunicação dos vibradores se concentrou em potência, número de velocidades, design e promessa de prazer.

A literatura científica acrescenta outra camada à conversa: o produto precisa ser adequado à finalidade.

Um vibrador para uso externo não precisa ter as mesmas características de um modelo desenvolvido para penetração.

Um produto destinado ao uso anal precisa ter características específicas de segurança.

Uma pessoa que procura maior controle de estímulo pode se beneficiar de diferentes níveis de intensidade.

Quem apresenta dor pode precisar considerar tamanho, formato e superfície.

E quem valoriza discrição pode colocar o nível de ruído entre os critérios de compra.

Isso cria uma maneira muito mais interessante de apresentar os produtos.

Em vez de simplesmente perguntar “qual é o vibrador mais potente?”, o consumidor pode começar a perguntar:

“Qual característica é mais importante para o uso que eu quero fazer?”

O “melhor vibrador” depende da necessidade

A publicação científica não criou um ranking de vibradores. Criou algo mais útil: critérios para pensar a escolha.

NecessidadeO que observar
Uso internoDimensões, formato e superfície
Uso analBase larga ou alça de segurança
Maior controleDiferentes velocidades e intensidades
Sensibilidade ou dorTamanho médio/menor e superfície lisa
PrivacidadeBaixo ruído e portabilidade
Uso com lubrificanteCompatibilidade com o material
CompartilhamentoHigiene e proteção

A tabela resume as recomendações apresentadas no trabalho e não substitui avaliação médica quando existe dor ou uma disfunção sexual.

Dois estudos que vale conhecer

O primeiro trabalho é justamente o que trata da escolha e do uso seguro do vibrador:

Genital vibration for sexual function and enhancement: best practice recommendations for choosing and safely using a vibrator

Leia o estudo no PubMed

O texto completo está disponível gratuitamente no PubMed Central:

Leia o texto completo no PubMed Central

O segundo artigo analisa as evidências científicas sobre a utilização da vibração para função sexual:

Genital vibration for sexual function and enhancement: a review of evidence

Leia a revisão no PubMed

Leia o texto completo da revisão

Os dois trabalhos foram publicados em 2018 e têm os mesmos seis autores.

O que eles deixam claro é que escolher um vibrador pode ser uma decisão muito mais específica do que simplesmente procurar o produto “mais potente” ou “mais vendido”.

Para cada necessidade, algumas características podem fazer mais diferença do que outras.

E isso vale tanto para quem compra quanto para quem fabrica, importa, vende ou recomenda produtos eróticos.

Publicitária, consultora e especialista no Mercado Erótico, escritora e empresária. Atua no setor erótico brasileiro desde o ano 2000. Presidente da ABIPEA – Associação Brasileira da Indústria e Profissionais do Entretenimento Adulto, é autora de 28 livros de negócios e sobre produtos eróticos para consumidores. Entre 2010 e 2017, presidiu a ABEME – Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico.Citada em mais de 100 teses universitárias e livros de sexualidade, desenvolve e projeta produtos eróticos e cosméticos sensuais para os maiores players do mercado. Criadora, em 2006, do primeiro seminário de palestras para empresários do setor, é apoiadora e presença constante nos mais importantes eventos eróticos do mundo.Idealizou o Prêmio Mercado Erótico, que desde 2016 reconhece empresas, inovações, produtos e iniciativas que impulsionam o desenvolvimento da indústria. É fundadora e coautora do portal MercadoErótico.org.

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