Sua plataforma de sexshop está preparada para a nova lei?

Sua plataforma de sexshop está preparada para a nova lei?

A transformação digital trouxe novas oportunidades para o comércio eletrônico brasileiro, inclusive para o mercado adulto. Plataformas de sexshop online cresceram, se profissionalizaram e conquistaram novos públicos. No entanto, esse avanço tecnológico também trouxe responsabilidades inéditas — especialmente no que diz respeito à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

Com a consolidação do chamado ECA Digital, o setor passa a enfrentar um novo marco regulatório que impacta diretamente sites, marketplaces, aplicativos, meios de pagamento, plataformas de conteúdo e operações de marketing digital. O que antes era tratado como boa prática agora passa a integrar um conjunto de obrigações legais, técnicas e operacionais.

Diante desse cenário, surge uma pergunta inevitável:
a sua plataforma de sexshop está realmente preparada para o ECA Digital?

O que é o ECA Digital e por que ele importa para o mercado adulto

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) sempre estabeleceu limites claros quanto ao acesso de menores a conteúdos impróprios. O que muda agora é a aplicação direta desses princípios ao ambiente digital, com regras específicas para plataformas online.

O ECA Digital não cria apenas restrições — ele estabelece deveres objetivos de proteção, exigindo que empresas adotem mecanismos capazes de:

  • impedir o acesso de menores a conteúdos e produtos destinados exclusivamente a adultos;
  • proteger dados pessoais de crianças e adolescentes;
  • coibir exposição indevida a publicidade sensível;
  • demonstrar diligência ativa na prevenção de riscos digitais.

Para o mercado adulto, isso significa sair da lógica do “aviso simbólico” e avançar para modelos efetivos de governança digital.

Aviso “somente para maiores de 18 anos” não é mais suficiente

Durante muitos anos, a principal barreira adotada por sexshops online foi um simples pop-up de confirmação de idade.

Hoje, esse modelo é considerado insuficiente sob a ótica jurídica e regulatória.

As novas diretrizes exigem mecanismos reais de prevenção, capazes de demonstrar que a empresa:

  • avaliou riscos;
  • adotou soluções técnicas proporcionais;
  • implementou políticas internas de proteção;
  • mantém registros e controles auditáveis.

Em outras palavras: não basta declarar que o site é adulto — é preciso provar que ele atua ativamente para impedir o acesso indevido.

O papel da ANPD no ECA Digital

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) assume papel central na aplicação do ECA Digital, atuando como órgão regulador responsável por:

  • estabelecer normas sobre verificação etária;
  • fiscalizar o tratamento de dados de menores;
  • definir padrões de segurança da informação;
  • aplicar sanções administrativas;
  • coordenar ações com o Ministério da Justiça e demais órgãos.

Isso significa que o tema deixa de ser apenas “comportamental” e passa a integrar o sistema oficial de fiscalização do Estado brasileiro.

Impactos diretos para plataformas de sexshop

O ECA Digital afeta de forma prática toda a estrutura de um e-commerce adulto.

1. Verificação de idade

As plataformas deverão adotar soluções que vão além do clique declaratório, como:

  • verificação por documento;
  • validação por terceiros especializados;
  • cruzamento de dados cadastrais;
  • mecanismos progressivos de autenticação.

O modelo deve ser proporcional ao risco da atividade, respeitando a LGPD e evitando coleta excessiva de dados.

2. Proteção de dados pessoais

Sexshops lidam com dados sensíveis por natureza, o que exige:

  • bases legais bem definidas;
  • política de privacidade clara e acessível;
  • controle de acesso interno;
  • armazenamento seguro;
  • descarte adequado de informações.

No contexto do ECA Digital, o cuidado deve ser redobrado para impedir qualquer tratamento indevido envolvendo menores.

3. Conteúdo e comunicação visual

Imagens, descrições, banners, nomes de produtos e materiais educativos passam a ser avaliados sob critérios mais rigorosos, considerando:

  • linguagem adequada;
  • ausência de apelos dirigidos a menores;
  • separação clara entre educação sexual e estímulo comercial;
  • categorização correta de produtos.

O risco não está apenas no produto vendido, mas na forma como ele é apresentado.

4. Publicidade digital e tráfego pago

Campanhas em redes sociais, buscadores e plataformas de mídia precisam observar:

  • segmentação etária restritiva;
  • bloqueio de exibição para menores;
  • responsabilidade sobre criativos e textos;
  • alinhamento com políticas das plataformas e com o ECA Digital.

Erros nesse ponto podem gerar responsabilização solidária, inclusive em anúncios terceirizados.

5. Marketplaces e afiliados

Quem vende por marketplaces ou utiliza afiliados digitais também é responsável pelo cumprimento das normas.

Isso inclui:

  • exigência contratual de conformidade;
  • monitoramento de links externos;
  • padronização de comunicação;
  • auditoria periódica.

No ECA Digital, a responsabilidade acompanha toda a cadeia.

Riscos reais para quem não se adequar

Ignorar o ECA Digital pode gerar consequências sérias:

  • sanções administrativas da ANPD;
  • multas previstas na LGPD;
  • suspensão de operações digitais;
  • bloqueio de meios de pagamento;
  • perda de contas em plataformas de anúncio;
  • ações civis e danos reputacionais.

Além do impacto financeiro, existe um fator ainda mais sensível: a credibilidade pública do setor.

O ECA Digital não é censura — é governança

É fundamental esclarecer:
o ECA Digital não proíbe o mercado adulto, nem criminaliza a atividade de sexshops.

O que ele exige é:

  • responsabilidade;
  • transparência;
  • controle;
  • maturidade institucional.

Trata-se de um movimento semelhante ao que ocorreu com a adequação à LGPD: quem se antecipou ganhou segurança jurídica; quem ignorou enfrentou riscos desnecessários.

Oportunidade estratégica para o mercado adulto

Empresas que se adequarem ao ECA Digital tendem a conquistar:

  • maior confiança de consumidores;
  • estabilidade junto a bancos e meios de pagamento;
  • legitimidade institucional;
  • valorização da marca;
  • sustentabilidade de longo prazo.

Mais do que cumprir uma obrigação legal, trata-se de posicionar o mercado adulto como parte responsável da economia digital brasileira.

Sua plataforma está preparada?

Responder a essa pergunta exige analisar pontos como:

  • existe política clara de proteção de menores?
  • há mecanismos reais de verificação etária?
  • os dados estão em conformidade com a LGPD?
  • a comunicação visual foi revisada?
  • parceiros e afiliados seguem padrões mínimos?
  • a empresa possui documentação e registros de conformidade?

Se alguma dessas respostas for incerta, o alerta está aceso.

Um novo momento para o setor

O ECA Digital inaugura uma nova fase para o comércio eletrônico no Brasil — e o mercado adulto faz parte dela.

Profissionalização, compliance, proteção de dados e responsabilidade social deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos de sobrevivência digital.

A pergunta que permanece não é se o ECA Digital vai impactar os sexshops online — isso já é fato.

A verdadeira questão é:

sua plataforma vai se adaptar agora ou apenas reagir quando o problema aparecer?

Quer saber mais sobre a conformidade com o Eca Digital? Entre em contato conosco no email: contato@abipea.com.br

Publicitária, consultora e especialista no Mercado Erótico, escritora e empresária. Atua no setor erótico brasileiro desde o ano 2000. Presidente da ABIPEA – Associação Brasileira da Indústria e Profissionais do Entretenimento Adulto, é autora de 28 livros de negócios e sobre produtos eróticos para consumidores. Entre 2010 e 2017, presidiu a ABEME – Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico.Citada em mais de 100 teses universitárias e livros de sexualidade, desenvolve e projeta produtos eróticos e cosméticos sensuais para os maiores players do mercado. Criadora, em 2006, do primeiro seminário de palestras para empresários do setor, é apoiadora e presença constante nos mais importantes eventos eróticos do mundo.Idealizou o Prêmio Mercado Erótico, que desde 2016 reconhece empresas, inovações, produtos e iniciativas que impulsionam o desenvolvimento da indústria. É fundadora e coautora do portal MercadoErótico.org.

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